PCP/Açores acusa Governo Regional de "muita propaganda" e critica direita
23 de jun. de 2025, 15:25
— Lusa
A
Direção Regional do PCP/Açores (DORAA) reuniu-se no sábado, na cidade da
Horta, na ilha do Faial, tendo responsabilizado os governos da
República e Regional pelo “agravamento das desigualdades e injustiças”,
refletindo-se num “crescente desequilíbrio social”.No
comunicado divulgado após o encontro, os comunistas açorianos acusam o
Governo da República, de coligação PSD/CDS-PP, de ter apresentado um
programa “com opções políticas que contam com o apoio de partidos como o
Chega, a Iniciativa Liberal e o PS”, considerando que o documento
reflete “os objetivos da política de direita”, através da contenção
salarial, pensões baixas, desinvestimento nos serviços públicos e uma
estratégia de privatizações.Nos Açores, o
PCP critica o Governo Regional de coligação por não procurar “soluções
concretas” para cada novo problema, apostando em “estudos” e
“facilitando o caminho para a privatização”.“Não
basta anunciar intenções e investimentos com pompa e circunstância. Há
muita propaganda e poucos resultados. Os problemas reais dos açorianos —
nos transportes aéreos e marítimos, na saúde e no custo de vida —
exigem ação, investimento e cumprimento. Mas, isso está longe de
acontecer”, apontou o PCP/Açores.O partido
denunciou ainda que as "queixas por falta de pagamento" do executivo
açoriano "multiplicam-se", assinalando atrasos nos apoios à pesca, que
comprometem o funcionamento das associações e o pagamento de salários."A
situação social e económica degrada-se diariamente. Não há rumo. Apenas
opções desastrosas de uma política de direita, que nos últimos quatro
anos tem estado obcecada pelo poder, traçando um caminho neoliberal que
impede o desenvolvimento sustentável da região, desvaloriza o setor
produtivo e aposta numa nova monocultura: o turismo", criticou.O
PCP/Açores, que não tem representação parlamentar nos Açores,
considerou também que há uma "degradação do debate político" na
Assembleia Legislativa Regional, alegando que se permite "tudo ao Chega —
desde declarações chocantes até ameaças políticas". "Isso
diz tudo sobre a subordinação da coligação PSD-CDS-PPM ao Chega, a quem
permite impor a sua agenda reacionária: mas, isto acontece porque na
realidade ambos convergem nos objetivos — privatizações, retirada de
direitos, baixos salários e destruição dos serviços públicos", sustentou
o PCP nos Açores.O partido garantiu ainda
que vai continuar "ao lado dos trabalhadores, dos jovens e do povo",
saudando "a luta dos trabalhadores da EDA, dos matadouros da região e de
todos os trabalhadores do setor privado" exigindo o aumento do
acréscimo regional ao salário mínimo nacional de 5% para 10%.