Paz Ferreira diz que Portugal deve reivindicar dinheiro da Europa para as ilhas
31 de out. de 2025, 17:29
— Lusa/AO Online
“Portugal tem de lutar, no
contexto da união económica e monetária europeia, por uma maior proteção
das regiões ultraperiféricas”, defendeu o professor catedrático
jubilado, ouvido pelo grupo de trabalho criado pelo parlamento
açoriano a propósito da revisão da Lei de Finanças Locais, que esteve
reunido em Ponta Delgada.Os Açores
reivindicam mais receitas e mais competências para o poder local das
regiões autónomas, mas Eduardo Paz Ferreira considera que um eventual
reforço de verbas para as autarquias locais deve vir, em primeira
instância, da Europa, que já assegura uma discriminação positiva ao
abrigo das regiões ultraperiféricas.“Se
foi legislado no sentido de haver regiões ultraperiféricas, então
levemos isso a sério! Que não seja só para pôr um crachá ou um cartaz a
dizer freguesia ou município ultraperiférico. Não! Que isso tenha uma
compensação!”, insistiu o especialista durante a audição parlamentar.Eduardo
Paz Ferreira explicou também que a tarefa dos deputados açorianos
esbarra, no entanto, na Constituição e no Estatuto
Político-Administrativo dos Açores.“Esta é
uma matéria da competência da Assembleia da República, embora com
competência relativa, mas parece-me muito difícil – já não falo sequer,
nas dificuldades negociais – mas nas dúvidas constitucionais que isso
colocaria”, advertiu Eduardo Paz Ferreira, referindo-se a uma eventual
iniciativa legislativa oriunda dos Açores sobre esta matéria.No
seu entender, o grupo de trabalho poderá, mesmo assim, apresentar
sugestões sobre matérias que entende que devem ser revistas na lei e
reencaminhá-las depois para o parlamento nacional ou para o governo de
Luís Montenegro, a quem competirá, em última análise, avançar com
propostas concretas nesse sentido.“Aquilo
que poderão fazer é apresentar uma resolução que represente, no fundo,
um instrumento político não vinculativo, mas em que transmitem
sugestões”, frisou o especialista, admitindo que, apesar de “menos
eficaz”, esta solução será, porventura, “mais pacífica” do ponto de
vista constitucional.Eduardo Paz Ferreira
advertiu também os deputados do grupo de trabalho da Assembleia Regional
para que evitem incluir uma eventual revisão da Lei de Finanças Locais
na futura revisão da Lei de Finanças das Regiões Autónomas, lembrando
que se tratam de matérias diferentes.“Se
me perguntam se eu tenho opinião de que matérias relacionadas com as
autarquias locais deviam vir na Lei de Finanças das Regiões Autónomas, a
minha resposta é negativa. Se me pergunta se é preciso rever a Lei de
Finanças Locais, a minha resposta é positiva. É, sem dúvida,
necessário”, esclareceu.O grupo de
trabalho, composto pelos partidos que integram a Comissão de Política
Geral do parlamento açoriano, terá de apresentar, até ao final do ano,
uma proposta de revisão da Lei de Finanças Locais, que "majore" as
transferências de verbas do Estado para as autarquias açorianas.