Paulo Portas defende que "relação atlântica" dá influência internacional a Portugal
18 de set. de 2025, 16:56
— Lusa/AO Online
“É a
relação atlântica e a nossa capacidade de gerar na América Latina, em
África e na Ásia relações muito especiais ligadas à nossa língua e à
nossa presença histórica que nos dá mais ‘soft power’ na Europa. Sem a
categorização dessas relações éramos apenas o PIB [Produto Interno
Bruto], a população e a dívida”, afirmou.O
antigo vice-primeiro ministro (2013-2015), ministro dos Negócios
Estrangeiros (2011-2015) e da Defesa Nacional (2002-2005), falava na
Conferência Internacional das Lajes, na Praia da Vitória, na ilha
Terceira, promovida pela Fundação Luso-Americana Para o Desenvolvimento
(FLAD).Paulo Portas considerou o “mar”
como o “elo de ligação do conceito estratégico” de Portugal e recordou a
importância histórica da Base das Lajes, na ilha Terceira.“Não
defendendo uma dicotomia antagónica entre mar e continente, entre
atlantismo e europeísmo - pelo contrário. Vejo uma capacidade de
aumentar a nossa influência nos fóruns e organizações em que
participámos”, vincou.O antigo líder do
CDS-PP disse estar “convencido” de que Portugal foi membro fundador da
NATO devido ao “privilégio das Lajes” e destacou a relevância
geoestratégica dos Açores no atual contexto internacional.“Os
Açores não se esgotam nas Lajes do ponto vista da valorização da sua
posição estratégica. Acho que o que vem aí em matéria espacial é muito
interessante porque é um projeto que interessa à Europa e não é um
irritante na relação com os Estados Unidos”.Sobre
as relações entre Portugal e os Estados Unidos, Paulo Portas afirmou
que as “relações são entre Estados e não entre personalidades”,
sinalizando que as “pessoas passam, mas os interesses ficam”.“Quando
tudo muda à nossa volta, e muitas coisas estão a mudar ao mesmo tempo,
há duas coisas que não mudam. Uma porque já aconteceu, a outra porque é
difícil de remover. Não muda a história, não muda a geografia. E a
história e geografia são pilares essenciais da relação entre Portugal e
os Estados Unidos e da relevância dos Açores nessa relação”, reforçou.Na
conferência, a nova cônsul dos Estados Unidos em Ponta Delgada
salientou a “amizade açor-americana” e a “ligação diária” entre o
arquipélago e os EUA, lembrando que militares portugueses e
norte-americanos “trabalham lado a lado” na Base das Lajes.“Estou
particularmente entusiasmada com o que o centro espacial em Santa Maria
pode trazer para futuras colaborações. São apenas de algumas
oportunidades futuras que podemos explorar juntos”, afirmou Rita Rico,
que iniciou funções há um mês.Já o
republicano Jack Martins, senador estadual do estado de Nova Iorque,
considerou existir espaço para aprofundar as relações entre os dois
países.“Haverá oportunidades de juntar os
dois países cada vez mais. É esse o desafio. Não vejo que haja grandes
ameaças”, afirmou o lusodescendente.Antes,
o presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, defendeu o
“aperfeiçoamento” do Acordo de Cooperação e Defesa entre Portugal e os
Estados Unidos e alertou o Estado que é “impossível criar condições” de
segurança sem respeitar a região.A conferência decorre esta quinta-feira e sexta-feira com o tema “Açores, do Oceano ao Espaço”, integrada nos 40 anos da FLAD.