Paulo Moniz defende revisão da Lei das Finanças Regionais
Congresso Regional do PSD/Açores
27 de out. de 2024, 08:14
— Lusa
Segundo
Paulo Moniz, a Lei das Finanças Regionais, que regula a relação
financeira entre a autonomia dos Açores e a República, não tem
atualização desde 2013 e “já não serve”.“Podemos
ficar, e não daqui a muito tempo, incapacitados de poder dar aos
açorianos, aos portugueses que vivem nos Açores, as mesmas condições de
saúde, e de outras funções que nos estão acometidas, que os portugueses
do continente. Isto é inadmissível. Os portugueses que vivem nos Açores
têm constitucionalmente os mesmos direitos”, alertou o deputado numa
intervenção no 26.º Congresso Regional do PSD/Açores, em Ponta Delgada.Paulo
Moniz lembrou que, em 2022, o PS “tinha a opinião que não era o momento
de se fazer a revisão Constitucional” e, das últimas declarações dos
responsáveis regionais socialistas, “facilmente se percebe que continuam
a achar que não é o momento de se fazer” a revisão da Lei das Finanças
Regionais.Questionando o PS se acompanha o
PSD ou não “na urgência, no modo e no momento” de proceder à revisão da
referida Lei, o deputado alertou que “não haverá revisão da Lei das
Finanças Regionais se os dois partidos não concorrerem na vontade, no
modo e no momento”.“Ou fazemos uma revisão
de Lei das Finanças Regionais com rapidez, […] ou vamos atravessar um
período de dificuldade do ponto de vista da nossa autonomia”, salientou.Também
numa intervenção no congresso, Luís Garcia, presidente do parlamento
açoriano e conselheiro regional, defendeu que a autonomia “precisa de
aperfeiçoar” a relação com Lisboa.“Cinquenta
anos de democracia, quase 50 anos de poder autonómico, ainda não foram
suficientes para que os centralistas do Terreiro do Paço, que os há em
todos os partidos, incluindo no PSD nacional, se convencessem […] que
esta autonomia não quer roubar nada a ninguém, quer apenas melhores
condições para desenvolver este Portugal Insular e este Portugal
Atlântico”, afirmou.O presidente do
parlamento açoriano confessou ainda “alguma estranheza e alguma
perplexidade” pelo facto de o assunto não ser colocado em cima da mesa e
de a Assembleia da República “promover uma revisão Constitucional”.Luís
Garcia alertou, por outro lado, que “é importante reatar os laços”
entre os eleitos e os açorianos, referindo que os partidos políticos
“são meros instrumentos para servir as pessoas”.“Eu
costumo dizer da análise que faço hoje, que nem tudo está mal quanto
pinta a oposição, mas em muitos domínios nem tudo está bem quanto pinta o
Governo [Regional da coligação PSD/CDS-PP/PPM] e os partidos que o
apoiam. Há domínios que temos que melhorar, não tenhamos medo de o
dizer”, afirmou.O eurodeputado Sebastião
Bugalho também discursou no segundo dia do congresso social-democrata
açoriano, falando sobre José Manuel Bolieiro.Sebastião
Bugalho referiu que vê a “alma açoriana” no líder do PSD/Açores e
presidente do executivo regional, que “não abdica das contas certas” e
também no eurodeputado Paulo Nascimento Cabral que “do primeiro ao
último minuto do dia de trabalho” tem uma prioridade: “os Açores, os
açorianos, as regiões ultraperiféricas, as regiões autónomas, o Portugal
Insular”. O cabeça de lista da AD nas
últimas eleições europeias, realizadas em junho, disse ainda que o
primeiro-ministro, Luís Montenegro, “tem as regiões autónomas como algo
que pode ser periférico na geografia, mas nunca será periférico enquanto
prioridade política”.“Não haverá uma democracia completa em Portugal, sem uma autonomia plena”, salientou.O
26.º Congresso Regional do PSD/Açores termina no domingo pelas 11:00
locais (12:00 em Lisboa), com as intervenções do presidente do PSD e
primeiro-ministro, Luís Montenegro, do líder do PSD/Açores e do Governo
Regional, José Manuel Bolieiro, e do presidente do PSD/Madeira e
executivo madeirense, Miguel Albuquerque.