Paulo Macedo sinaliza importância de preparar medidas de apoio para fim de moratórias
Covid-19
8 de mar. de 2021, 17:54
— Lusa/AO Online
“Eu penso que o essencial é
que medidas de apoio vamos ter para o fim das moratórias em termos dos
setores mais afetados”, disse o responsável hoje durante um debate
promovido pela CIP – Confederação Empresarial de Portugal sobre
igualdade de género nas empresas.“Há
setores que, de facto, não têm receitas e, portanto, a chave aqui vai
ser que apoio se vai dar à saída das moratórias para essas empresas e
portanto aqui como eu tenho dito não é a banca que precisa de apoio,
quem precisa de apoio são as empresas”, acrescentou.Para
Paulo Macedo, as moratórias vão ser um desafio grande para as empresas
que não têm ‘cash-flow’ (movimentos de dinheiro associados a uma empresa
ou projeto, separados entre entradas e as saídas de liquidez), “vão ter
efeitos muito assimétricos, há setores que estão a resistir bem, como a
construção e a distribuição alimentar, mas há setores que de facto não
tem receitas”. “Se as empresas não forem
insolventes e conseguirem cumprir os seus compromissos, de certeza que
será positivo [o fim das moratórias] e não haverá destruição do tecido”,
acrescentou.Em fevereiro, o governador do
Banco de Portugal (BdP), Mário Centeno, afirmou que as moratórias, bem
como as medidas relacionadas com a pandemia, deverão ser adaptadas em
função dos diferentes momentos da crise da covid-19.Durante
a apresentação dos resultados anuais da CGD, Paulo Macedo, disse que a
instituição estava “disponível” para reestruturar dívida de particulares
no desemprego, no fim das moratórias, previsto para setembro.O
gestor salientou que “em termos dos particulares aumentou o desemprego,
mas o rendimento disponível tem sido mantido de forma positiva”,
defendendo que “deveria haver um esquema de proteção a estas pessoas” e
que a instituição “está disponível para reestruturar os créditos dos
clientes todos que no final da moratória estejam em situação de
desemprego”.O presidente do BCP, Miguel
Maya, também defendeu a prorrogação das moratórias de crédito para as
empresas e para os trabalhadores do setor do turismo, que terminam em 30
de setembro.O presidente executivo do
BPI, João Pedro Oliveira e Costa, disse que ainda é cedo para discutir
as moratórias relacionadas com a pandemia de covid-19, defendendo que
devem ser localizadas e interpretadas como um instrumento transitório.