Patrícia Mamona pretende terminar a carreira em Los Angeles2028
22 de mai. de 2025, 14:47
— Lusa/AO Online
“Quero
voltar o mais rápido possível às pistas, mas também quero regressar bem,
não só a saltar, mas a saltar bem. Esta época, em princípio, ainda vou
estar mais no resguardo e à procura de recuperar totalmente. Ainda tenho
o grande objetivo de acabar a carreira nos Jogos Olímpicos, em grande.
Tenho esse objetivo, agarrei este desafio e estou a fazer tudo o que é
possível para o concretizar”, expressou.Patrícia
Mamona falou aos jornalistas à margem da conferência “Desporto Hoje:
Testar os Limites”, de reflexão e debate sobre o papel do desporto na
sociedade portuguesa, participando ao lado da psicóloga de desporto e
alta performance Ana Bispo Ramires e ainda do diretor da Academia dos
Champs, Pedro Carvalho.“Neste momento,
estou à espera de estar 100% recuperada e os treinos terão de indicar
que estou preparada para competir. Não tenho ideia qual vai ser o nível
após uma recuperação a 100%, mas gostava de começar por competições mais
a nível nacional e, se me sentir preparada para provas internacionais,
fazê-lo”, disse.Patrícia Mamona lembrou
que teve de “aprender a respeitar” o seu corpo, uma vez que “quis
apressar o processo e não correu bem”, o que a leva a não apontar uma
data ou competição em específico para regressar ao ativo ao mais alto
nível.“Para esta época, não tenho ainda
data prevista. Eu não estou ainda a demonstrar estar bem nesse sentido,
por isso é a seu tempo. Infelizmente, não consigo prever o futuro. Os
erros do passado, de querer acelerar o processo, saíram caro. Estamos
muito cautelosos e a caminhar de forma gradual, sabendo que no treino
vou ter de ter os indicadores necessários para garantir o regresso”,
realçou a atleta olímpica.Patrícia Mamona,
de 36 anos, encontra-se a fazer ainda treino condicionado, onde já faz
“um pouco de tudo, menos triplo salto, porque é bastante impactante”,
numa lesão que a afasta das pistas desde 2023 e a impediu de competir em
Paris2024.“Tive a felicidade de chegar ao
auge, de estar nos Jogos Olímpicos e ganhar uma medalha, sem nunca ter
tido uma lesão grave. As lesões fazem parte do desporto e saber gerir
esse tipo de emoções também é muito importante. O desporto é para formar
pessoas também. Tem sido um período de aprendizagem”, frisou.A
triplista revelou ainda sentir “um bocadinho de inveja boa” quando vê
as suas colegas a competir e obter resultados, o que lhe dá “forças e
motivação”.“Tenho tido muita ajuda a nível
profissional, com a minha equipa técnica, o meu psicólogo, um grupo de
treino que tem sido espetacular a gerir-me e a motivar-me para treinar
com eles e eventualmente a competir, a federação, o Comité Olímpico de
Portugal... São altos e baixos, mas estou mais nos ‘altos’ e muito mais
motivada para conseguir voltar o mais rápido possível”, salientou a
multimedalhada.A lesão permitiu-lhe, por
outro lado, começar a preparar o pós-carreira, ao ter sido nomeada chefe
da missão portuguesa aos Jogos Mundiais Universitários, na qual
pretende passar toda a informação e experiência às próximas gerações de
atletas.“O intuito é começar a transportar
tudo o que aprendi até aqui, com a modalidade e o desporto, para os
mais novos, para que o caminho deles seja um bocado mais facilitado do
que o meu. Tive uma carreira muito longa, com muitos erros, altos e
baixos. Com este tipo de informação, posso ajudar as próximas gerações
e, quem sabe, formar atletas de nível mundial”, frisou a recordista
nacional do triplo.Os Jogos Mundiais
Universitários vão decorrer na região alemã de Rhine-Ruhr, de 16 a 27 de
julho, com Mamona a suceder na liderança da comitiva portuguesa a Pedro
Cary, que chefiou a missão a Chengdu2021, realizados somente em 2023.