Patriarcado de Lisboa afasta quatro padres no ativo por suspeitas de abusos
21 de mar. de 2023, 11:26
— Lusa/AO Online
“O
Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, determinou o
afastamento preventivo, também designado como proibição do exercício
público do ministério, de quatro sacerdotes no ativo, recomendado pela
Comissão Diocesana”, lê-se no comunicado enviado às redações, que
esclarece que “o outro sacerdote referido, que também se encontra no
ativo, já tinha sido sujeito a medidas cautelares”.De
acordo com a nota divulgada, não há ainda uma acusação formal a
qualquer um destes padres, embora fiquem para já afastados da atividade
enquanto decorrem as diligências dos respetivos processos.“Os
sacerdotes solicitaram a rápida busca da verdade e da justiça,
abrindo-se agora a investigação prévia de cada um dos casos, que
posteriormente será enviada ao Dicastério para a Doutrina da Fé”,
acrescenta o Patriarcado de Lisboa.A
instituição religiosa reitera ainda o seu empenho “na procura da
verdade, assente na tolerância zero e na transparência total em relação a
qualquer situação de abuso de menores e adultos vulneráveis”.No
passado dia 10, o Patriarcado de Lisboa tinha anunciado a receção de
uma lista de 24 suspeitos de abusos, cinco dos quais padres no ativo. Destes
24 nomes, segundo o Patriarcado de Lisboa, oito nomes diziam respeito a
sacerdotes já falecidos, dois eram padres doentes e retirados do
ministério, três de sacerdotes sem qualquer nomeação, quatro são nomes
desconhecidos, além de um leigo e de um ex-padre.Com
base nesta lista, a Comissão Diocesana de Proteção de Menores e Adultos
Vulneráveis do Patriarcado de Lisboa pediu, então, mais informações à
Comissão Independente para “tornar possível a entrega ao
Cardeal-Patriarca das recomendações que lhe permitam fundamentar a
proibição do exercício público do ministério dos sacerdotes no ativo e
assunção das devidas responsabilidades no apoio e respeito pela
dignidade das vítimas”.A Comissão
Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais de Crianças na Igreja
Católica validou 512 testemunhos, apontando, por extrapolação, para pelo
menos 4.815 vítimas. Vinte e cinco casos foram enviados ao Ministério
Público, que abriu 15 inquéritos, dos quais nove foram arquivados.A
comissão entregou à Conferência Episcopal Portuguesa uma lista de
alegados abusadores, alguns no ativo, tendo esta remetido para as
dioceses a decisão de afastamento de padres suspeitos de abusos e
rejeitado atribuir indemnizações às vítimas.