Patriarcado confirma queixa contra padre suspeito de abusos na década de 90
27 de jul. de 2022, 11:30
— Lusa/AO Online
Numa
nota enviada à agência Lusa, o Patriarcado confirmou hoje ter recebido,
“no final da década de 1990”, queixa contra um padre por alegados abusos
sexuais, assegurando que “duas décadas depois” o atual patriarca
encontrou-se com a vítima, “que não quis divulgar o caso”.O
Patriarcado informa que, “na altura, foram tomadas decisões tendo em
conta as recomendações civis e canónicas vigentes” e que, “até este
momento, (…) desconhece qualquer outra queixa ou observação de desapreço
sobre o sacerdote”, que chegou a ser responsável por duas paróquias da
zona norte do distrito de Lisboa.O caso
foi noticiado pelo jornal Observador, que dá conta de que o atual
cardeal patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, “teve conhecimento de uma
denúncia de abusos sexuais de menores relativa a um sacerdote do
Patriarcado e chegou mesmo a encontrar-se pessoalmente com a vítima, mas
optou por não comunicar o caso às autoridades civis e por manter o
padre no ativo com funções de capelania”.“Além
disso, o sacerdote continuou a gerir uma associação privada onde acolhe
famílias, jovens e crianças, com o conhecimento de D. Manuel Clemente.
Tudo, porque, justifica o próprio Patriarcado ao Observador, a vítima,
que alega ter sofrido os abusos na década de 1990, não quis que o seu
caso fosse público e queria apenas que os abusos não se repetissem”,
noticia o jornal.De acordo com a
investigação do Observador, a atuação do patriarca “contraria (…) as
atuais normas internas da Igreja Católica para este tipo de situações,
que determinam a comunicação às autoridades civis de todos os casos”,
adiantando que “os dados sobre este caso em concreto contam-se entre as
mais de 300 denúncias já recebidas pela Comissão Independente para o
Estudo dos Abusos Sexuais contra as Crianças na Igreja Católica
Portuguesa — e o nome deste sacerdote é também um dos sete que já se
encontram nas mãos da Polícia Judiciária para serem investigados”.A
situação foi levada ao conhecimento do Patriarcado, pela primeira vez,
ainda com o anterior patriarca, José Policarpo, pela mãe da vítima, mas
segundo o Observador, “esta primeira reunião foi infrutífera”, com a
família a sair do encontro “com a ideia de que a hierarquia da Igreja
Católica não acreditava na denúncia”.“Seguiram-se
vários contactos entre a família e a hierarquia do Patriarcado de
Lisboa, que incluíram conselhos para que a mãe da criança tivesse
acompanhamento clínico”, adianta o jornal.Segundo
a nota enviada pelo Patriarcado à agência Lusa, “o sacerdote está
atualmente hospitalizado” e à Comissão Diocesana de Proteção de Menores
não chegou “qualquer denúncia ou comunicação sobre o caso”.A
nota adianta que o Patriarcado de Lisboa “está totalmente disponível
para colaborar com as autoridades competentes, tendo sempre como
prioridade o apuramento da verdade e o acompanhamento das vítimas”.