Passos Coelho recandidata-se “quando quiser” e defende acordo com Chega e IL
Hoje 09:54
— Lusa/AO Online
“Acho natural que as
pessoas possam querer especular ou ter qualquer outra associação de
ideias sobre o que são as minhas intenções (...), mas quando me
perguntam, diretamente, sobre quais são, não vejo nenhuma razão para
(...) dissimular. Quando eu quiser candidatar-me, candidato-me, e
anuncio que me vou candidatar”, disse, em entrevista ao jornal ECO.O
antigo presidente do PSD diz-se “de bem com a política” e “de bem com o
País”, não andando “à procura de nada em particular” e sem quaisquer
“desforras para fazer”.“Encontro-me de bem
comigo, com a vida e com o Mundo. Por essa razão, não sinto necessidade
de correr atrás de nada. Agora, não sinto nenhuma necessidade de
excluir qualquer coisa que venha a fazer no futuro, porque razão haveria
de o fazer?”, afirmou.Passos Coelho
analisou o sucedido entre 2011 e 2015, quando teve responsabilidades
governativas, durante a intervenção externa a que Portugal esteve
sujeito, e a formação da denominada ‘geringonça’ (PS, PCP, BE e ‘Os
Verdes’) entretanto.“O PS, contra a ameaça
do regresso do PSD ao Governo, esvaziou o BE e o PCP, o que é uma coisa
profundamente irónica. O problema é que essa história não é hoje
repetível, porque o PSD não pode esperar o mesmo exercício de um
parlamento tripartido”, continuou.Para o
antigo chefe de governo da coligação Portugal à Frente (PSD/CDS-PP), que
teve o atual primeiro-ministro, Luís Montenegro como líder parlamentar,
tanto BE como PCP, naquela altura, "esvaziaram-se para o PS com o
receio de que o PSD e o dr. Rui Rio pudessem ganhar as eleições”.”Mas
não creio que o Chega se esvazie, nem que a IL se esvazie, porque o PS
pode ganhar as eleições futuras. Eu, de resto, até acho muito pouco
provável que, no dia em que o PSD perca as eleições, seja o PS a
ganhá-las...”, prognosticou, adiantando que, “muito provavelmente, é o
Chega”.Passos Coelho considerou ter “sido
preferível procurar um caminho de estabilidade”, ou seja, de
entendimento com os partidos do espetro político da direita.“Arrisco
dizer que, se esse caminho tivesse sido prosseguido, das duas, uma. Ou
não teria sido bem-sucedido porque os líderes do Chega e da IL não
teriam aceitado fazê-lo, mas seriam responsabilizados pelos eleitores
por terem recusado dar condições de estabilidade. E se tivessem acedido e
criado um quadro de estabilidade, estaríamos melhor, seguramente”,
disse.Antes, o ex-líder social-democrata
já tinha explicitado a sua tese: “é mais fácil que, quando não se
procura uma base comum, as divergências se acentuem para permitir
evidenciar as diferenças, do que quando procuramos à partida um caminho
mais comum”.“Neste caso, ele teria de ser
procurado entre o Chega e a IL. É possível construir ou não um acordo de
legislatura? Eu diria: Só o tempo demonstraria se era possível ou não,
mas desejável era, e deveria ter sido tentado. É desejável ter um quadro
de estabilidade”, declarou.O presidente
do PSD entre 2010 e 2018 reiterou a necessidade de reformas políticas em
Portugal, uma vez que tem sido cumprida “a disciplina orçamental que
não se cumpriu durante muitos anos”.“Mas
uma coisa é não estarmos à beira da bancarrota, outra coisa é
desperdiçarmos as condições políticas que as pessoas procuraram dar
quando expressaram uma vontade de mudar, justamente para reformar o
País, para regressar a uma visão reformista. E o PSD vendeu as eleições
com essa missão”, atestou.Passos Coelho disse que não acompanha “há muitos anos o espaço mediático televisivo”, preferindo “os jornais, sobretudo”.“E
tenho dúvidas de que o projeto reformista tenha sido o que tivesse sido
mais destacado na comunicação. Ouvi muito a mensagem da pacificação...
Que era preciso pacificar, pacificar os professores, pacificar os
setores que estavam... os pensionistas”, criticou, na extensa entrevista
ao ECO.