Passagem pela Mata da Albergaria no Gerês sem público
Volta
Hoje 17:37
— Lusa/AO Online
A 87.ª edição
da Volta a Portugal em bicicleta decorre entre quarta-feira e 16 de
agosto, unindo Lisboa e Porto ao longo de 1.388 quilómetros,
distribuídos por um prólogo, nove etapas em linha e um contrarrelógio.A
7.ª etapa, agendada para 13 de agosto e que atravessa o Parque Nacional
da Peneda Gerês (PNPG), tem gerado preocupação e críticas por parte de
associações ambientalistas, que contestam a passagem dos ciclistas,
sobretudo pela Mata da Albergaria, concelho de Terras de Bouro, distrito
de Braga.Em resposta enviada hoje à
agência Lusa, o ICNF explica que a autorização para a realização da
etapa “foi acompanhada por um conjunto de medidas específicas destinadas
a minimizar qualquer eventual perturbação”.“Nomeadamente
a limitação da circulação de veículos de apoio ao estritamente
indispensável, a interdição da permanência de público em todo o trajeto
que atravessa os setores ecologicamente mais sensíveis do percurso, a
exclusão de meios aéreos em áreas de ambiente natural e outras medidas
de gestão consideradas necessárias para proteção das espécies, habitats e
restantes valores naturais”, indica o ICNF.Além
disso, “foi igualmente recomendada a integração, por parte da
organização, de ações de comunicação e sensibilização ambiental, em
articulação com o ICNF, que contribuam para a divulgação dos objetivos
de conservação do Parque Nacional e do património natural que este
alberga”“O ICNF acompanhará a realização
da prova, em articulação com as restantes entidades competentes, de
forma a verificar o cumprimento integral das condições estabelecidas e a
garantir a salvaguarda dos valores naturais do Parque Nacional da
Peneda-Gerês”, sublinha este Instituto.A
7.ª etapa parte de Vieira do Minho, passará pela Caniçada, Rio Caldo e
Vila do Gerês, subirá à Portela de Leonte pela Estrada Nacional 308-1 e
atravessará depois a Mata da Albergaria, pela estrada florestal até à
Portela do Homem.O ICNF acrescenta que a
decisão “resultou de uma análise técnica e jurídica cuidadosa e
aprofundada, realizada no quadro dos procedimentos legalmente previstos,
num processo em que a proteção da natureza, dos habitats e das espécies
presentes no Parque Nacional constituiu sempre a principal prioridade”.Este
organismo público lembra que o percurso proposto atravessa uma zona com
elevado valor ecológico e que, por essa razão, exige especiais
cuidados.“Foi, por isso, analisada não
apenas a passagem dos atletas, mas também o conjunto das atividades
associadas ao evento, incluindo a circulação de veículos de apoio, os
meios aéreos, a presença de público e o ruído”, salienta o ICNF.A
análise concluiu, segundo o ICNF, que o percurso proposto para a etapa
coincide exclusivamente com uma via pavimentada já existente, e durante
um período muito limitado. “O troço em
causa corresponde a uma estrada onde existe circulação motorizada
regular, sem que daí tenha resultado, até à data, qualquer impacte
negativo significativo conhecido sobre os habitats naturais, as espécies
ou os valores ambientais presentes”, lê-se ainda na resposta.O
ICNF esclarece ainda que do ponto de vista jurídico, o Regulamento do
Plano de Ordenamento do Parque Nacional da Peneda-Gerês prevê um regime
de autorização sujeito à apreciação caso a caso, permitindo avaliar a
compatibilidade de cada situação com os objetivos de conservação e
definir as condicionantes necessárias para salvaguardar os valores
naturais em presença.