Páscoa faz disparar vendas no Chocolatinho e reforça aposta no artesanal
Hoje 10:44
— Filipe Torres
A Páscoa continua a afirmar-se como um dos períodos mais importantes para o setor da pastelaria e chocolataria. No caso do Chocolatinho, esta época representa mesmo o ponto alto do ano em termos de produção e vendas.Em entrevista ao Açoriano Oriental, o proprietário Tiago Alves não tem dúvidas: “Para nós, e para todas as casas que trabalham com bom chocolate, a Páscoa é um dos pináculos da produção. É a altura em que mais vendemos, tanto em quantidade como em volume.”O empresário explica que a natureza dos produtos típicos da época - como ovos e figuras de chocolate - contribui para esse aumento. “Estamos a falar de peças com grande volume, como ovos e figuras esculpidas. Mesmo sendo ocas, consomem muito chocolate, o que faz disparar a produção”, refere.Produtos premium ganham destaqueNum mercado onde as grandes superfícies apostam em produtos massificados, Tiago Alves sublinha a diferença do produto artesanal. “Quem opta por um produto premium não está à procura de brindes ou do plástico colorido. Procura qualidade, a nobreza do chocolate.”Apesar de reconhecer que o fenómeno do chamado “chocolate do Dubai” marcou fortemente o ano passado, com “grandes números de faturação”, o empresário garante que, em 2026, os produtos de Páscoa já superaram os resultados do período homólogo — mesmo antes dos dias mais fortes.“Este ano, só em artigos de Páscoa, já ultrapassámos o ano passado, e ainda nem chegámos ao pico”, afirma.Ovos “Dubai” e amêndoas lideram procuraEntre os produtos mais procurados destacam-se os ovos com recheio “Dubai”, bem como as versões de colher e os ovos tradicionais. Para o público mais jovem, continuam a ter saída as figuras típicas como coelhos, galinhas e patos.Outro destaque vai para a venda de amêndoas a granel, que tem superado expectativas. “Estamos a falar de cerca de 400 a 500 quilos vendidos. As pessoas podem comprar desde uma unidade até grandes quantidades, e isso tem atraído muita gente”, explica.A diversidade é também um fator-chave: a casa trabalha com cerca de 200 sabores de bombons, ainda que nem todos estejam disponíveis em simultâneo.Tiago Alves acredita que os hábitos de consumo estão a mudar, com uma valorização crescente do trabalho manual e personalizado. “As pessoas começam a perceber que não é o plástico que importa, mas sim o que está dentro. O chocolate, a qualidade, o detalhe”, disse.Um exemplo disso é o sucesso dos ovos personalizados, decorados e pintados à mão, que têm registado forte procura, especialmente através das redes sociais. “Numa live no TikTok, fiz 30 ovos e vendi todos na hora. Nem chegaram à loja.”As transmissões em direto têm sido uma ferramenta fundamental para o crescimento do negócio. Segundo o empresário, muitas vendas são feitas em tempo real, com clientes a encomendar diretamente durante as emissões.“Foi uma das grandes alavancas, especialmente na altura do chocolate do Dubai. Muitas vezes trabalho de madrugada para conseguir produzir para a loja e para as lives.”Apesar do crescimento, o negócio enfrenta um desafio significativo: a escassez de trabalhadores. “É um problema generalizado. Há falta de pessoas, e mesmo quando aparecem, muitas vezes não ficam.”Tiago Alves alerta que esta realidade poderá afetar vários setores na região, incluindo o turismo. “Estão a abrir novas unidades hoteleiras e não sei como vão conseguir pessoal.”Nova fábrica em vistaO futuro passa pela expansão. Está em curso o projeto para a construção de uma nova fábrica, um investimento na ordem dos sete milhões de euros.“Se tudo correr bem, esperamos ter o projeto aprovado ainda este ano e avançar com a obra. A previsão é inaugurar em 2028”, revela Tiago Alves ao Açoriano Oriental.Produção atinge 8 toneladas na PáscoaOs números deste ano refletem a dimensão da operação: só para a Páscoa de 2026, o Chocolatinho prevê utilizar cerca de oito toneladas de chocolate.A preparação começa cedo, logo após o Dia dos Namorados. “Começamos na primeira semana de março, primeiro a produzir para os pontos de venda externos e depois para a loja”, explica.No final das contas de 2025, Tiago Alves explica que o Chocolatinho utilizou cerca de 21 toneladas de chocolate ao longo do ano.