Em declarações na Comissão Parlamentar de Saúde, onde está a ser
ouvida, Ana Paula Martins disse que este ano foram registados cerca de
50 partos em ambiente extra-hospitalar (em ambulâncias ou em casa) e
disse que, apesar de não ter dados objetivos, através do relato do
socorro do INEM é possível perceber que os partos em casa estão
aumentar. “O parto em casa nunca é
seguro. É uma opção, (…) mas é preciso dizer que alguns (…), felizmente,
não têm tido desfechos fatais porque o INEM chega a tempo, é acionada a
SIV [ambulância] e faz o parto na ambulância. Senão, teríamos tido
desfechos fatais”, disse. A governante
está hoje de manhã a ser ouvida na Comissão de Saúde sobre diversas
matérias, entre elas as urgências de obstetrícia. Disse ainda que têm igualmente aumentado os casos de grávidas que procuram o SNS e não foram acompanhadas durante a gravidez.
Na audição, a governante chamou a atenção para a necessidade de ter
rácios de médicos obstetras e de enfermeiros especialistas em Enfermagem
de Saúde Materna e Obstétrica (ESMO) mais adequados à realidade atual,
revelando: “Em cada 100 partos, 80 são feitos por ESMO”.
Apontou ainda a necessidade de rever, com a Ordem dos Médicos, as vagas
para o internato médico: “Não posso ter um serviço preparado para ter
cinco internos e ponho 15, mas também não posso ter um serviço preparado
para 15 internos e ter só cinco”.
Relativamente às sete vagas carenciadas abertas para o Hospital Garcia
de Orta, em Almada, que não foram preenchidas na totalidade, a ministra
explicou que três especialistas optaram por ir para outras instituições
com melhores condições salariais e dois ainda estão em período de
reflexão.