Partidos vão confrontar primeiro-ministro com fogos e "falhanço do Estado"
17 de out. de 2017, 17:26
— Lusa/AO online
O
PSD escolheu como tema para o debate quinzenal com o primeiro-ministro,
António Costa, "o falhanço do Estado", o PCP "prevenção e resposta aos
problemas dos fogos florestais", além de questões económicas e sociais, e
o PEV "questões relacionadas com o drama dos fogos florestais". O
PS, que abrirá o debate, indicou "questões sociais e económicas" como
tema, o BE optou pelas "políticas sociais, economia e relações
internacionais" e o CDS pelas "políticas de soberania, sociais e
económicas". O debate quinzenal com António Costa acontece um dia
depois de os democratas-cristãos terem anunciado que vão apresentar uma
moção de censura ao Governo em resultado dos incêndios e devido à falha em "cumprir a função mais básica do Estado: proteger as pessoas". O
texto será entregue a partir de quarta-feira no parlamento, o que
'atira' o debate da moção de censura - a primeira ao Governo de António
Costa - para a próxima semana. Hoje de manhã, os grupos
parlamentares de PSD e CDS-PP opuseram-se à alteração da agenda
parlamentar que incluía o debate quinzenal com o primeiro-ministro, na
quarta-feira, segundo de três dias de luto nacional pelas vítimas dos incêndios florestais. PS,
BE, PCP e PEV defenderam em conferência de líderes parlamentares alguns
reajustamentos na agenda do parlamento, nomeadamente uma eventual
sessão evocativa, como tem sido tradição na Assembleia da República, mas
sociais-democratas e democratas-cristãos quiseram ter a oportunidade de
confrontar o primeiro-ministro em sessão plenária, mantendo-se assim a
realização do debate com a presença de António Costa. As centenas de incêndios
que deflagraram, no domingo, no Norte e Centro de Portugal, o pior dia
de fogos do ano, segundo as autoridades, provocaram pelo menos 41 mortos
e 71 feridos, além de terem obrigado a evacuar localidades, a realojar
as populações e a cortar o trânsito em dezenas de estradas. Esta é a segunda situação mais grave de incêndios
com mortos este ano, depois de Pedrógão Grande, no verão, um fogo que
alastrou a outros municípios e que provocou 64 mortos e mais de 250
feridos. Ao debate quinzenal, seguir-se-á o debate com António
Costa preparatório do Conselho Europeu de quinta e sexta-feira, em
Bruxelas. Sobre esta reunião, o ministro dos Negócios
Estrangeiros, Augusto Santos Silva, afirmou que Portugal defende que o
Conselho Europeu dê um "sinal político de empenhamento" da União
Europeia a 27 e do Reino Unido em avançar com as negociações do
'Brexit'. Em declarações aos jornalistas à margem de uma reunião
de chefes de diplomacia da UE, no Luxemburgo, Augusto Santos Silva
admitiu que todos esperam que o Conselho de quinta e sexta-feira
constate que não houve progressos suficientes para avançar para a
segunda fase das negociações com Londres (sobre o relacionamento
futuro). Todavia, considerou importante que, a par daquela constatação, haja um "sinal político" que encoraje as conversações.