Partidos unidos na necessidade de comissão de inquérito ao INEM e PSD não se opõe
9 de jul. de 2025, 17:57
— Lusa/AO Online
As várias posições partidárias
foram manifestadas durante o debate da proposta da bancada liberal que
pretende uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para apurar as
responsabilidades políticas, técnicas, contratuais, legais e financeiras
relativas ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) nos últimos
anos.Na apresentação da sua iniciativa, a
deputada Joana Cordeiro salientou que os problemas do INEM “não
começaram hoje e são o resultado de anos de desinvestimento, de
descoordenação e de más decisões e de reformas que ficaram por fazer”.“O
que se passa com o INEM é, em muitos aspetos, um reflexo do que se
passa na saúde em Portugal”, referiu a deputada liberal, considerando
que a CPI, que vai ser aprovada na votação de sexta-feira, “não é nem
deve ser um tema partidário”, alegando que se trata de uma matéria de
interesse público. “Os portugueses têm
direito de saber o que está a falhar e de exigir soluções que permitem
melhorar o funcionamento” da emergência médica, defendeu Joana Cordeiro,
para quem as audições na Comissão de Saúde sobre este assunto “já não
chegam e é preciso ir mais longe”. O
parlamentar social-democrata Miguel Guimarães realçou que o “Governo e
PSD não receiam qualquer tipo de escrutínio” e avançou que o processo de
refundação do INEM anunciado pela ministra da Saúde, Ana Paula Martins,
“está a ser cumprido”.Depois de alertar
para a necessidade de o parlamento não banalizar as comissões de
inquérito, Miguel Guimarães referiu que, mais do que instrumentos
parlamentares que “devem ser valorizados e protegidos”, parece que as
CPI agora “são usadas como instrumentos de ataque político”.O
deputado social-democrata defendeu ainda, relativamente às
consequências da greve dos técnicos dos INEM no final de 2024, que se
deveria aguardar a conclusão de todos os relatórios das investigações da
Inspeção-Geral das Atividades em Saúde que estão a decorrer. “Nesse
sentido, é precipitada esta CPI”, alegou.“Mas
se os partidos acham que é necessária uma CPI, para se constatar o
abandono a que os Governos socialistas deixaram o INEM e comparar com o
investimento já feito pelo Governo da AD, o PSD não se opõe”, afirmou.Durante
o debate, Mariana Vieira da Silva realçou que o PS “está totalmente
disponível” para assumir todas as suas responsabilidades” de quando foi
governo e criticou o atual executivo por ter “zero medidas para o INEM”
no plano de emergência e transformação da saúde que aprovou em maio de
2024.A ex-ministra socialista acusou ainda
o Governo da AD de ter decidido, “por opção própria, não abrir o
concurso” para o serviço de helicópteros de emergência médica, alegando
que foram “oito meses perdidos” e que justificam a situação atual de
recurso à Força Aérea.“O Governo ignorou
os avisos e, durante oito meses, alimentou uma suposta solução que toda a
gente sabia que não existia”, lamentou a deputada do PS. Pelo
Chega, o deputado Bruno Nunes considerou que o instituto não tem falta
de investimento, tendo em conta as verbas que recebe provenientes dos
seguros, mas sim “falta de capacidade de gestão dos sucessivos governos e
de coragem política e de capacidade para governar”. “Não
chamem apenas o INEM, chamemos o nome dos responsáveis políticos para
apurar responsabilidades porque a vida dos portugueses está em causa”,
afirmou. Já para Paulo Muacho, do Livre, o
instituto continua “sem soluções concretas e refém das promessas da
ministra da Saúde”, salientando que a sua bancada considera ser
necessária a CPI para apurar as responsabilidades e “reunir evidência
para apoiar, com transparência, a implementação de mudanças”.Paula
Santos, lamentou a situação “absolutamente caricata” do transporte
aéreo de emergência médica, alegando que foi adjudicado a uma empresa
“que nem helicópteros e pilotos tem”, defendendo fazer sentido apurar
responsabilidades políticas sobre a gestão do instituto nos últimos
anos.Pelo CDS-PP, João Almeida referiu ser
“inacreditável” como em alguns anos um instituto tenha perdido a
capacidade de resposta em termos de meios humanos, materiais e tenha
ficado desatualizado tecnologicamente, o que disse ter sido denunciado
pelo partido desde 2017.Inês de Sousa
Real, do PAN, e Filipe Sousa, do JPP, anunciaram que vão acompanhar a
proposta da IL, enquanto Mariana Mortágua, que antes do debate já tinha
anunciado que o BE vai votar a favor, lamentou o desinvestimento no INEM
durante anos.