Partidos reconhecem excesso de burocracia na administração pública
Hoje 20:49
— Lusa/AO online
“A
burocracia tornou-se, nos Açores e em Portugal, uma verdadeira doença
do Estado: uma máquina pesada, fria e implacável, que cresce todos os
anos, que se alimenta de papéis, pareceres, carimbos, regulamentos,
plataformas, senhas digitais e prazos que quase nunca são cumpridos, mas
que custa uma fortuna ao contribuinte”, afirmou o deputado do Chega
Francisco Lima no plenário da Assembleia Regional, na Horta.O
parlamentar, que falava num debate pedido pelo partido sobre o excesso
de burocracia na administração pública, apelou à “coragem” para combater
o problema, já que a “burocracia deixou de ser apenas um incómodo” para
se tornar num “bloqueio económico”.“Defender
o combate à burocracia é defender quem investe, quem produz e quem quer
viver nos Açores sem ter de pedir licença a uma máquina burocrática
para fazer aquilo que devia ser feito normalmente num país moderno”,
reforçou.No debate, o secretário das
Finanças, Planeamento e Administração Pública garantiu que o Governo dos
Açores (PSD/CDS-PP/PPM) está a “enfrentar” a burocracia, já que os
serviços públicos “não existem para criar labirintos administrativos”.Duarte
Freitas afirmou que a estratégia do executivo açoriano “começa nas
pessoas”, lembrando a regularização de vínculos, a valorização de
carreiras e as ações de formação na função pública, que já abrangeram
14.900 formandos desde 2021.O secretário
regional realçou que no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência
estão a ser investidos 30,6 milhões de euros na modernização da
administração pública, com a criação de 22 novas plataformas digitais e a
melhoria de outras 12 já existentes.“Ainda
há cidadãos que não conseguem acompanhar facilmente os seus pedidos.
Ainda há empresas que esperam mais do que deveriam. Mas o que distingue
uma política séria é reconhecer o problema e ter um caminho concreto
para o resolver. E esse caminho está em curso”, garantiu.Em
nome do PS, a deputada Cristina Calisto defendeu que “o desafio é
distinguir a burocracia necessária” da “burocracia inútil, que apenas
atrasa a vida das pessoas e o desenvolvimento da região”.“O
problema não está nos trabalhadores. O problema reside em circuitos
administrativos demasiado longos e numa excessiva concentração da
decisão”, atirou a socialista.A
social-democrata Sabrina Furtado considerou a “desburocratização o
debate do futuro”, defendendo a interligação do processos para que não
sejam solicitados aos cidadãos documentos que o Estado já detém, para
garantir um “processo mais ágil”.Nuno
Barata (IL) definiu a burocracia como o “mais perverso dos impostos”,
mas defendeu que “revolta sem reformas é apenas ruído”, enquanto Pedro
Neves (PAN) a considerou um “problema cultural português” e o reflexo de
um “Estado paternalista”.O deputado do
CDS-PP Luís Silveira reconheceu que ainda existe “burocracia a mais”,
mas enalteceu a atuação do Governo Regional, com uma “estratégia clara”
para a simplificação dos procedimentos, tal como João Mendonça (PPM),
que denunciou uma “cultura administrativa que confundiu cautela com
lentidão”.Já António Lima, do BE, destacou
que “todos querem reduzir a burocracia para o mínimo possível”, mas
alertou para os riscos de quem defende “um novo mundo sem Estado”.