Partidos pedem reforço das autonomias regionais e criticam centralismo excessivo
26 de jun. de 2026, 12:04
— Lusa/AO Online
Na sessão plenária comemorativa
que assinalou os 50 anos da autonomia das regiões dos Açores e da
Madeira, o líder parlamentar da IL, Mário Amorim Lopes, defendeu que “a
maior lição” deste cinquentenário é que a autonomia “não enfraqueceu a
nação, não dividiu, não distanciou”, mas “aproximou e fortaleceu”.“Cinquenta
anos depois, é agora tempo de perguntar o que ainda falta cumprir. E
falta cumprir muito. Não obstante os avanços registados, Portugal
continua a ser dos países mais centralistas da OCDE”, criticou,
salientando que é a partir da Assembleia da República que se tomam
decisões sobre a “comunidade, o município ou a região”.O
liberal considerou que “é tempo de rasgar com espartilhos centralistas”
e “confiar mais nas autonomias, nas regiões e nos municípios”.Logo
no início da sessão solene, Filipe Sousa, do JPP, eleito pelo círculo
eleitoral da Madeira, deixou uma palavra de solidariedade para o povo
venezuelano, vítima de dois sismos: “Um enorme drama que aflige muitos
de nossos conterrâneos a quem expresso aqui a minha total
solidariedade”, afirmou, visivelmente emocionado, recebendo um aplauso
dos deputados.Sobre os 50 anos das
autonomias, Filipe Sousa considerou que “é preciso continuar a desbravar
um enorme caminho” para responder a desigualdades nos Açores e na
Madeira resultantes “de opções políticas erradas” e “decisões
centralistas que ignoram a realidade insular”, apontando para os custos
de mobilidade e pedindo um compromisso para aprofundamento das
autonomias regionais.Pelo Livre, a
deputada Filipa Pinto enalteceu a autonomia das regiões autónomas,
considerando que “permitiu aproximar as decisões dos cidadãos e
traduzi-las em progresso social e económico” mas alertou que “há ainda
muito por construir”.Alertou que a
insularidade ainda significa “custos acrescidos de mobilidade,
dificuldades de acesso a bens e serviços e desigualdades estruturais que
se refletem no custo de vida, na habitação e nas oportunidades para os
mais jovens”, bem como “constrangimentos no acesso à saúde, à cultura,
na fixação de profissionais qualificados e na diversificação das
economias regionais”.Apesar de reconhecer
que as regiões autónomas têm um contexto específico, Filipa Pinto
salientou que o continente pode aprender com este processo de autonomia,
insistindo na regionalização.Alfredo
Maia, deputado do PCP, argumentou que “só com a Revolução de Abril foi
possível conquistar as autonomias dos Açores e da Madeira” e enalteceu
esta solução constitucional “inovadora”.O
comunista alertou que “as populações das autonomias enfrentam ainda
problemas profundos e aguardam as justas respostas”, mas que tal não se
deve ao atual modelo constitucional de autonomia, mas sim pela falta de
“políticas adequadas”.O deputado único do
BE, Fabian Figueiredo, defendeu, dando como exemplo a ilha açoriana do
Corvo, que a autonomia das regiões exige o direito de “400 pessoas no
meio do Atlântico decidirem a sua vida e não serem governadas como se
fossem um problema distante”, acrescentando que a “autonomia ensinou
Portugal a confiar mais na sua gente” e pedindo que se estenda essa
confiança a outros direitos como a habitação e a saúde.“A
autodeterminação de uma comunidade só fica completa quando a liberdade a
decidir vem acompanhada dos meios para decidir de facto sobre a sua
vida”, afirmou.Inês de Sousa Real, do PAN,
pediu “mais do que palavras bonitas” para as regiões autónomas,
defendendo a importância de “investir nas suas potencialidades” e
“trabalhar em conjunto para dar aos seus cidadãos uma vida melhor", e
sublinhou a necessidade de ”proteger e valorizar os recursos naturais”
dos Açores e da Madeira perante os desafios colocados pelas alterações
climáticas e de sustentabilidade.