Partidos nos Açores dizem ser necessário reabrir economia da região

1 de jun. de 2020, 13:44 — AO Online/ Lusa

Os partidos políticos do arquipélago com assento no parlamento regional comentaram hoje na RTP/Açores, no Dia da Região, as intervenções do presidente do Governo Regional, o socialista Vasco Cordeiro, e da presidente do parlamento, Ana Luís.Pelo PSD, maior partido da oposição, o líder do partido, José Manuel Bolieiro, reconheceu ser "aceitável" que as intervenções no Dia da Região deste ano tenham tido o foco na covid-19, mas sustentou que o momento exige mais do que isso."É preciso à data de hoje ter uma dimensão de planeamento e ação concreta", nomeadamente a nível de injeção de liquidez na economia, defesa do emprego ou melhorias nos sistemas de saúde e educação."Penso que essa parte ficou omissa. (...) É preciso substituir medo por planeamento e atitude", prosseguiu José Manuel Bolieiro.À direita, o líder do CDS nos Açores, Artur Lima, abordou as regionais previstas para outubro para apelar aos açorianos para "ao fazerem as suas escolhas, pensarem nos seus filhos" e tomarem opções de "cidadania", até porque "maiorias absolutas de um só partido não são boas para a democracia".O centrista, que diz praticar uma "oposição construtiva", defendeu a promoção de maior literacia política na sociedade açoriana", e reiterou a ideia de que "não há saúde sem economia nem economia sem saúda", pedindo "confiança" no reabrir da economia na atual fase de desconfinamento.Já o Bloco de Esquerda, pelo líder regional, António Lima, declarou que os elogios do chefe do Governo Regional à atuação dos profissionais dos ramos da saúde e educação devem ser acompanhados do "reforçar" das suas carreiras, nomeadamente a nível salarial."Para o Bloco de Esqueda, é fundamental garantir o emprego, as respostas à economia devem ter como pano de fundo as garantias de todo o emprego", prosseguiu António Lima.Já o líder regional do PCP, Marco Varela, defendeu que o momento é de se tomarem "claras opções na economia" dos Açores, que passam, a seu ver, pelo "reforço dos serviços públicos em meios e trabalhadores".O comunista reiterou a defesa do setor público empresarial regional, pedindo "condições para empresas estratégicas" como a SATA, a Eletricidade dos Açores (EDA) ou a conserveira Santa Catarina se manterem na esfera pública.Já o deputado único do PPM no hemiciclo açoriano foi crítico para com a presidente da Assembleia Legislativa, dizendo que Ana Luís "fez tudo para que o parlamento desaparecesse neste período" de pandemia, e denunciando que a cerimónia prevista para o Dia da Região não foi a que se verificou.Estava previsto, disse Estêvão, uma "cerimónia minimalista, mas presencial na Horta", na sede do parlamento, ao invés da sessão virtual que sucedeu.Sobre o discurso do presidente do Governo Regional, o monárquico definiu-o como uma "absoluta desilusão", lamentando que Vasco Cordeiro queira retomar o que diz ser o bom caminho da região: "Em 2019, a SATA teve 53 milhões de euros de prejuízo, que não teve nada a ver com a covid-19. Esse era um bom caminho?", questionou.Pelo partido que apoia o Governo Regional, o PS, o líder parlamentar, Francisco César, defende que Vasco Cordeiro tem a "verdadeira consciência" das dificuldades atuais e "assume o sentido de planeamento para as ultrapassar".E prosseguiu: "Há muito para fazer, muito para melhorar, novas ideias para introduzir. E mesmo que não fosse o confinamento, a prioridade máxima seria abrir a nossa região, a nossa economia", nomeadamente com o "convocar de outros atores", caso de "empresários e empreendedores" que "tragam mais fôlego e ambição" aos Açores.O presidente do executivo açoriano valorizou hoje, dia em que se assinala o Dia dos Açores com um "significado bastante mais profundo" do que o normal, a resposta dos setores da saúde e da educação à pandemia de covid-19."Evocamos hoje o Dia da Região Autónoma dos Açores. Celebrar os Açores neste dia, celebrar os Açores este ano traz consigo um significado bastante mais profundo do que o que aconteceria em circunstâncias normais. Estes são tempos extraordinários, desafiantes, exigentes. E é exatamente por isso que se impõe evocar a nossa identidade, a nossa pertença comum, a nossa autonomia", considerou Vasco Cordeiro.O governante considerou ainda que um debate alargado sobre os instrumentos da autonomia "não pode deixar de acontecer", mas não nesta fase, "no meio da batalha" contra a pandemia.O Dia dos Açores foi instituído pelo parlamento açoriano em 1980, visando celebrar a autonomia política e administrativa da região, sendo celebrado na segunda-feira do Espírito Santo, também conhecida por Dia do Bodo ou Dia da Pombinha, devido à forte implantação destas festividades nas comunidades açorianas.Até ao momento, já foram detetados na região um total de 146 casos de infeção, verificando-se 128 recuperados, 16 óbitos e dois casos positivos ativos para infeção pelo novo coronavírus SARS-CoV-2, que causa a doença covid-19, ambos na ilha de São Miguel.