Partidos divergem nas reações à demissão do presidente do grupo SATA
5 de nov. de 2019, 14:39
— Lusa/AO Online
Para o vice-presidente da bancada socialista
no parlamento dos Açores, José San-Bento, em declarações à agência Lusa,
o processo de reestruturação do grupo SATA deve ir o “mais longe
possível”, independentemente de quem lidera a empresa.O
parlamentar, que reagia à demissão, na segunda-feira, do presidente do
conselho de administração da SATA, António Teixeira, declarou que o PS
“acompanha este processo de uma forma serena”, sendo agora mais
importante “olhar para o futuro”.O
deputado afirma que o PS/Açores “não abdica de um trabalho de
reestruturação que vá o mais longe possível, independentemente do
protagonista”, visando a “recuperação plena da empresa”.O
presidente do conselho de administração da transportadora aérea SATA,
António Teixeira, apresentou na segunda-feira a sua demissão por motivos
de "ordem pessoal" e pelo atraso na "implementação de medidas de
reestruturação", anunciou a empresa."Além
de razões de ordem pessoal, por entre as principais razões que motivaram
a sua decisão, encontram-se o atraso verificado na implementação de
medidas de reestruturação, que considerou urgentes e necessárias, bem
como a impossibilidade de reduzir, até ao final do ano 2019, os
prejuízos do Grupo SATA, para metade do valor registado em 2018",
declara a SATA em nota enviada à imprensa.O
deputado socialista espera que o novo responsável da transportadora
aérea e o acionista, a Região Autónoma dos Açores, possam “superar os
desafios que se deparam” à companhia.Para o
deputado do PSD/Açores António Viveiros, citado em nota de imprensa, o
presidente do Governo Regional “perdeu a credibilidade” para resolver os
problemas da SATA, como fica demonstrado pela escolha de sucessivas
administrações “sem conhecimento do negócio da aviação”.“A
escolha deste presidente do conselho de administração – bem como dos
anteriores – foi da exclusiva responsabilidade do presidente do Governo
Regional. Este foi mais um ato de fé falhado de Vasco Cordeiro, que já
não tem qualquer credibilidade para gerir o dossier da SATA”, afirmou o
social-democrata.António Viveiros lembrou
que, ao longo da última década, “a SATA teve prejuízos superiores a 200
milhões de euros, sendo que Vasco Cordeiro é o principal responsável por
este descalabro financeiro”.De acordo com
o parlamentar, “a fatura destes prejuízos será paga por todos os
açorianos, prevendo-se, face aos resultados do primeiro semestre deste
ano, que no final de 2019 os prejuízos sejam ainda superiores aos 54
milhões registados pela SATA em 2018”.Já o
líder do PCP/Açores, Marco Varela, também em declarações à Lusa,
considera que “mais importante que as personalidades é a estratégia do
Governo Regional”, que “tem vindo a conduzir a companhia ao estado em
que está”.Para o dirigente comunista,
“basta de medidas avulso” para a SATA, que deve ser uma companhia
pública, que preste um serviço de qualidade aos açorianos.De
acordo com o PCP/Açores, deve-se partir para a recapitalização da
empresa, proceder a um ajuste das rotas internacionais, a par da dotação
dos meios técnicos e humanos necessários para que esta desenvolva a sua
operação.Artur Lima, líder do CDS-PP, em
declarações aos órgãos de comunicação social, na ilha Terceira,
considera que a situação na SATA "vem dar razão" à iniciativa do partido
de criação de uma comissão de inquérito ao setor público empresarial,
apoiada pelo PSD e PPM, esperando que a companhia não venha a ser
extinta, tal como aconteceu com outras empresas públicas.“Tínhamos
razão sobre a gestão que estava a ser feita do plano de negócios um,
dois, e agora do três. Nós não aprovámos a nomeação de António Teixeira e
lembramos o passado que tinha na Saudaçor - Sociedade Gestora de
Recursos e Equipamentos da Saúde dos Açores, S. A, sendo esta uma
inteira escolha da responsabilidade do Governo Regional, como afirmamos
na comissão parlamentar”, refere Artur Lima.O
dirigente disse ainda que o presidente demissionário da SATA “falhou em
todos os seus objetivos”, lamentando que o acionista “não tome as
medidas que se tem de tomar”.Para Artur
Lima, deve agora o Governo Regional “pôr a mão na consciência, olhar
para a SATA e salvá-la”, estando o CDS-PP disponível para alcançar este
objetivo e “dar o seu contributo, como no passado”.Na
leitura do líder do BE/Açores, António Lima, também em declarações à
Lusa, a demissão do presidente da SATA é uma “demonstração clara” que o
acionista não cria as condições necessárias para que uma administração
possa exercer as suas funções, devendo o Governo dos Açores “definir de
uma forma clara” os objetivos a que se propõe.António
Lima considera ser necessário recapitalizar a empresa, sob pena de se
continuar numa “espiral descendente” em termos de resultados
financeiros, manifestando-se contra a sua privatização.O
dirigente considera que para pôr em prática os objetivos estratégicos
que se pretende para a SATA deve-se apostar numa “administração
competente e capaz”.