Partidos da oposição preocupados com dívida pública dos Açores
9 de set. de 2025, 14:20
— Lusa/AO Online
“A Região
Autónoma dos Açores atravessa uma crise estrutural que resulta de
décadas de governação assente na expansão descontrolada da máquina do
Estado e no enfraquecimento da iniciativa privada”, disse o deputado do
Chega Francisco Lima, no parlamento açoriano, na Horta, durante um
debate de urgência pedido pelo partido sobre despesa pública e atrasos
no pagamento de apoios por parte do Governo Regional.Para
o Chega, o modelo vigente “tornou-se insustentável: a dívida pública
atinge máximos históricos, a despesa corrente do Estado cresce muito
acima da economia e o setor privado encontra-se enfraquecido e muito
dependente de subsídios”.“A dívida pública
regional já ultrapassa os 3.400 milhões de euros, o valor mais elevado
de sempre. As despesas correntes, em particular com pessoal, representam
já 16,6% do PIB [Produto Interno Bruto] regional - cerca de 50% acima
da média nacional”, disse.Pelo PS, o
parlamentar socialista Carlos Silva referiu que a região “nunca esteve
tão mal do ponto de vista financeiro como está hoje”.O
anúncio, pelo secretário regional das Finanças, Duarte Freitas, de que o
executivo vai apresentar um plano que permitirá, em 2026, “uma poupança
superior a 30 milhões de euros”, é, para o PS, “atirar areia para os
olhos dos açorianos”.“O caminho que nós
percorremos nos últimos cinco anos, trouxe-nos até aqui, a uma situação
financeira que é insustentável. Felizmente, o Governo já assume que as
coisas não estão bem. É o primeiro passo”, afirmou.O
deputado do BE, António Lima, considerou o debate “uma mera
hipocrisia”, alegando que o partido que o propôs “aprovou todos os
orçamentos desde 2021” e, agora, “critica o Governo por supostamente
gastar demais”.Acrescentou que o problema
do orçamento da região não é só um problema de despesa, é também “um
problema de equilíbrio”, salientando que o número de trabalhadores na
administração pública “não está a aumentar nos Açores” e é preciso
acabar com a ideia da existência de funcionários públicos a mais.Para
o BE, o problema do desequilíbrio orçamental pode ser resolvido com
medidas que já foram propostas pelo partido, mas chumbadas no
parlamento.Nuno Barata (IL) referiu que é
preciso aproveitar o crescimento económico “para fazer as reformas e
para reduzir a despesa da região”.Lembrou
que, em 2020, o partido “assumiu como necessidade imperiosa a redução de
impostos e a reposição de alguma justiça laboral que estava por fazer”
e, agora, falta olhar a administração pública e a despesa da região de
“uma forma concreta, efetiva e com seriedade”.“Não
é possível travar a espiral de endividamento da região (…) sem travar o
crescimento da despesa pública regional”, acrescentou.O
deputado do PAN Pedro Neves disse que os “buracos negros” das finanças
públicas regionais são a SATA e a Saúde e que o problema está na
receita.Também salientou que a função
pública “é o que faz funcionar" a região e não devem ser reduzidos os
apoios “fulcrais” para a sociedade.Disse
esperar que o Orçamento para 2026 “seja bastante rigoroso” e que os
elementos do executivo consigam “descobrir a ‘torneira’ que deixaram
aberta”.O social-democrata Joaquim Machado
salientou que “o problema estrutural é a receita e não a despesa”, uma
vez que a economia é “pujante”, mas a capacidade de gerar receita “é
limitada”.A Saúde, Segurança Social e
Educação “representam mais de 51% do Orçamento Regional”, apontou,
salientando que estes setores “custam todos os dias” 2,7 milhões de
euros.“Se a despesa tem de ser reduzida,
então digam-me: quanto é preciso cortar? Onde vamos cortar? Quando vamos
cortar? Há uma solução óbvia, que foi a do PS. É voltar, em muitos
domínios, aos valores do tempo da governação socialista, mas em 2020 e
em 2024 os açorianos disseram que não queriam voltar a esse tempo”,
disse.Pedro Pinto (CDS-PP) sublinhou que a
prioridade do executivo de coligação foi “colocar acima de todos os
interesses o interesse dos cidadãos, do conforto e rendimento das
famílias”.Medidas como o aumento do
“cheque pequenino” e o reforço do COMPAMID (aquisição de medicamentos),
transformaram-se em “verdadeiros instrumentos de justiça social”,
chegando a “milhares de açorianos”.Por sua
vez o deputado do PPM, João Mendonça, lembrou o mérito da política
económica do Governo dos Açores entre 2021 e 2025: “Tirámos a economia
da inércia e colocámo-la a crescer de forma contínua. Foram cinquenta
meses seguidos de expansão. O PIB aumentou. O emprego atingiu o valor
mais elevado de sempre”.O rumo passa por
“manter impostos baixos, simplificar regras, dar segurança regulatória,
fechar portas à fraude e à evasão, apostar na habitação acessível para
fixar jovens, melhorar a mobilidade interilhas, valorizar a economia do
mar e a transição energética”.