Partidos criticam Governo por falta de professores e número de alunos por turma
Covid-19
23 de out. de 2020, 11:38
— Lusa/AO Online
O ministro da Educação esteve hoje
no parlamento para uma audição por requerimento dos grupos parlamentares
do PSD, BE e PAN, que chamaram o governante à Comissão de Educação,
Ciência, Juventude e Desporto. Foram
diferentes as questões que motivaram o pedido dos três partidos, mas as
cerca de duas horas de audição foram sobretudo marcadas pela covid-19 e
pela forma como a tutela geriu o início do ano letivo e a retoma das
aulas presenciais em plena pandemia.Entre
os problemas que mereceram mais críticas, sobretudo dos partidos à
esquerda, estiveram a falta de professores em várias escolas e o elevado
número de alunos por turma. “Está à
vista aquilo que foi um ataque à escola pública, que vem de há muito
tempo, uma desvalorização de recursos que vem de há muito tempo e, como é
evidente, em alguma altura isto iria correr mal. Vem uma pandemia e
coloca isto tudo de uma forma muito mais impressiva a nu”, afirmou a
deputada comunista Ana Mesquita, afirmando que a falta de professores é,
ao final de um mês de aulas, uma “preocupação tremenda”. Também
Joana Mortágua, do Bloco de Esquerda, alertou para esta carência, dando
o exemplo de duas escolas em Lisboa: Escola Básica 2,3 Professor Delfim
Santos onde, segundo a deputada, faltam 16 professores e o Agrupamento
de Escolas de Portela e Moscavide onde são 33 as turmas sem, pelo menos,
um docente.“Se eu continuar por aí fora,
não há escola com quem eu fale que não me diga que há falta de algum
professor”, sublinhou, questionando o ministro sobre como o Governo
tenciona resolver o problema, que se verifica também ao nível de outros
funcionários. Em resposta, Tiago Brandão
Rodrigues apresentou números: 3.300 professores na contratação inicial,
500 assistentes operacionais e 200 assistentes técnicos em concursos
lançados em julho, 1.500 assistentes operacionais em concursos lançados
no início do ano letivo mais três mil que vão ser contratados no âmbito
da nova portaria de rácios, e 900 técnicos de intervenção, incluindo
psicólogos.“Temos neste momento nas nossas
escolas 1.600 psicólogos. Nunca o nosso sistema educativo teve um
número de psicólogos como temos agora nas escolas”, frisou o ministro.Sobre
a falta de docentes, o governante considerou também que é preciso “que
os professores não saiam do sistema educativo e para o conseguir é
necessário dar-lhes condições”, revelando que em setembro do próximo ano
deverão ser vinculados mais 2.400 professores ao abrigo da chamada
norma-travão.Durante a audição, Tiago
Brandão Rodrigues foi também confrontado com o elevado número de alunos
por turma, com a deputada do PAN Bebiana Cunha a criticar a falta de
espaço nas salas de aula para assegurar o distanciamento físico e a
comunista Ana Mesquita a questionar quando isso iria acontecer.“Já
deveríamos ter menos alunos por turma há bastante tempo e nós
gostaríamos de questionar se há alguma perspetiva por parte do Governo
para que se concretize a redução do número de alunos por turma. E não
falamos para trás do sol posto onde já sabemos que há pouca população e
as turmas já são naturalmente pequenas, falamos dos casos críticos”,
frisou.Entre os temas relacionados com a
pandemia da covid-19 que os deputados levaram para discussão, esteve
também a falta de acompanhamento dos alunos com necessidades educativas
especiais e daqueles que estão em casa, seja por pertencerem a grupos de
risco para a covid-19, seja por estarem a cumprir quarentena ou
isolamento profilático.“Além dos alunos
sem escola e dos alunos sem professor, temos um outro problema que são
os alunos sem aulas”, alertou Ana Rita Bessa do CDS-PP, questionando se
as escolas estavam realmente preparadas para assegurar esse
acompanhamento e não o estão a fazer ou se algumas não têm, de facto,
condições para garantir o ensino a distância.