Partido Popular espanhol diz que Sánchez "é mais suspeito do que nunca"
30 de jul. de 2024, 17:42
— Lusa/AO Online
"Sánchez não quis
declarar perante a justiça, mas responderá perante os espanhóis",
escreveu o líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, na rede social X.Feijóo
tem pedido ao primeiro-ministro para convocar eleições antecipadas dada
aquela que considera ser “a agonia” e fragilidade do atual do Governo,
por causa de suspeitas de corrupção que atingem membros da família de
Sánchez e de antigos dirigentes do partido, mas também por causa da
falta de uma maioria estável de apoio ao executivo no parlamento, onde
tem tido dificuldades em fazer aprovar leis.O
Governo tem "mais casos de corrupção em curso nos tribunais do que lei
aprovadas no Congresso [dos deputados]", escreveu há dias o PP, num
comunicado.O dirigente do PP Miguel
Tellado, líder do grupo parlamentar do partido, disse hoje numa
conferência de imprensa em Madrid, que Sánchez é "mais suspeito do que
nunca", depois de ter recusado testemunhar no processo em que a mulher
está a ser investigada por suspeitas de tráfico de influências e
corrupção no setor empresarial privado.Sánchez
está "encurralado pela corrupção" e se não testemunhou "está a
reconhecer que não tem explicações para o que aconteceu na Moncloa [a
sede da Presidência do Governo de Espanha] nos últimos anos", considerou
Tellado.Pedro Sánchez invocou hoje o
direito ao silêncio de testemunhas quando estão em causa processos
relacionados com os cônjuges para não prestar declarações no caso que
envolve a mulher.Sánchez tinha afirmado
estar disponível para testemunhar, mas por escrito, dizendo que é isso
que estabelece a lei do processo penal para os líderes do Governo quando
estão em causa processos relacionados com o exercício do cargo.O
juiz respondeu que Sánchez foi convocado para testemunhar por ser
marido de Begoña Gómez e não por ser primeiro-ministro e manteve a
decisão de recolher o testemunho de forma presencial, numa declaração
oral que teria de ser gravada dentro do Palácio da Moncloa.O
magistrado, representantes do Ministério Público, advogados das defesas
e uma advogada do partido de extrema-direita Vox, em representação das
"acusações populares" que se constituíram neste caso, deslocaram-se por
isso hoje à Moncloa para recolher o testemunho de Sánchez, que acabou
por invocar o direito ao silêncio.Mais
tarde, Pedro Sánchez apresentou uma queixa na justiça, por prevaricação,
contra o juiz, por o ter impedido de testemunhar por escrito.A
queixa foi apresentada em nome de Sánchez pela Advocacia Geral do
Estado, um órgão que, em Espanha, está integrado na estrutura do Governo
e que noutros países, como Portugal, está dentro das competências do
Ministério Público.Sánchez queixa-se de
que o juiz Juan Carlos Peinado não respeitou a lei e que está a
prosseguir com diligências sem ter "um mínimo indício" que as
justifiquem, gerando um "descrédito gratuito" e desprestigiando a
instituição da Presidência do Governo de Espanha.A
investigação de que é alvo Begoña Gómez tem como base queixas de
associações ligadas à extrema-direita e centra-se, em particular, na sua
relação profissional com um empresário cujas empresas negociaram ajudas
públicas ou participaram em concursos públicos num período em que Pedro
Sánchez já era primeiro-ministro.Em linha
com as conclusões de dois relatórios da investigação policial, o
Ministério Público considerou não haver indícios de irregularidades e
fundamento para o caso e pediu o arquivamento, não havendo ainda
resposta a este recurso.Pedro Sánchez e o
Partido Socialista espanhol (PSOE), que lidera, têm reiterado não haver
nada que fundamente esta investigação judicial e que está em causa uma
perseguição política e pessoal ao chefe do Governo e à sua família.Juntamente
com a lei de amnistia para os independentistas catalães, este caso é há
várias semanas o principal alvo de ataque ao primeiro-ministro por
parte da oposição.Este caso foi também o
motivo que levou Sánchez a ponderar demitir-se no final de abril,
afirmando-se vítima, com a família, de uma "máquina de lodo" que difunde
mentiras e desinformação na Internet que são depois levadas para o
debate político pela direita e pela extrema-direita e judicializadas com
queixas de associações extremistas.