Partido de Santana Lopes contra documento e seus “pecados fiscais”
OE2019
26 de out. de 2018, 11:16
— Lusa/AO Online
"À
última hora verificou-se um descambar que veio prejudicar uma certa
bondade inicial. Bondade e saldo orçamental, conseguidos à custa de
inaceitáveis bloqueios nos serviços essenciais, nomeadamente na saúde.
Tal realidade, por si mesma, seria motivo para um voto desfavorável",
afirma a comissão instaladora da Aliança, em comunicado hoje divulgado.No
texto declara-se que o partido "nunca contribuiria para viabilizar a
frente de esquerda, se a maioria falhasse no apoio, mas o sentido de
voto (...) tem outras razões, outras distâncias, outras ambições", pois o
OE2019 "tornou-se um somatório de ilogicidades, com desígnios
eleitoralistas permitidos por cativações ou bloqueios de manifesta
insensibilidade social"."A
nossa objeção de fundo está a montante da proposta [OE2019], pois
consideramos haver um erro estrutural em que Portugal tem incorrido
quanto aos pressupostos e aos objetivos na elaboração do OE. Os partidos
que, neste sistema, têm conseguido representação parlamentar, todos
eles com maior ou menor acentuação neste ou naquele critério, nesta ou
naquela medida, com mais responsabilidade ou eleitoralismo, no fundo,
não têm conseguido sair da lógica do modelo em uso", lê-se.Os
responsáveis da Aliança sublinham que, à semelhança dos denominados
partidos do ‘arco da governação' (PSD, PS e CDS-PP), "ao fim de quatro
anos", também, "afinal, o BE e a CDU (PCP/PEV) acabam por votar o OE de
acordo com os pressupostos macroeconómicos de Maastricht e os
indicadores financeiros daí por diante adotados"."Defendemos
um modelo muito diferente para o financiamento do Estado, segundo o
qual não pode ir lançando mais impostos à medida da necessidade de
satisfação do aumento da despesa. O Estado só pode fazer a despesa que
as suas receitas permitam. E estas, nomeadamente as fiscais, não
esticam", defende a Aliança, no documento "sete pecados fiscais e
propostas alternativas", que condena os "défices de liberdade,
estabilidade, investimento, capital, habitação, poupança e ambição" do
OE2019.Como
proposta, o partido do antigo líder do PSD "acredita que ‘menos
impostos' podem trazer ‘mais receita fiscal', aproveitando "toda a
margem disponível para baixar significativamente os impostos sobre os
rendimentos do trabalho e sobre as empresas"."Este
OE poderia e deveria ser mais ambicioso. O clima que se cria tem muita
influência. A palavra que mais se ouve é devolver. Devia ser crescer.
Estamos a perder uma oportunidade histórica de virar a página da
austeridade e favorecer um clima económico mais dinâmico, bem como dar
às famílias, às famílias numerosas, às empresas, a todos, um balão de
oxigénio fiscal que muito favoreceria um caminho alternativo, o da
melhor e maior produtividade, do aumento estratégico da receita",
conclui o texto.