Partido de independentista catalão Puigdemont rompe acordos com PSOE de Sánchez
31 de out. de 2025, 11:52
— Lusa/AO Online
O JxCat,
liderado por Carles Puigdemont, o ex-presidente do governo da região
autónoma espanhola que protagonizou uma tentativa de autodeterminação da
Catalunha em 2017, argumentou que o PSOE e o executivo de Sánchez não
cumpriram os acordos.O entendimento a que
os dois partidos chegaram em novembro de 2023 previa uma amnistia para
independentistas - como o próprio Puigdemont, que vive desde 2017 na
Bélgica para escapar à justiça espanhola - o reconhecimento do catalão
como língua oficial nas instituições europeias ou a transferência de
competências na área da imigração para o executivo.A
questão do catalão e das competências na imigração continuam por
concretizar, apesar das tentativas nesse sentido do Governo espanhol,
que porém as viu travadas nas instituições europeias e no parlamento
nacional.Quanto à amnistia, a lei foi
aprovada, está em vigor, vários dirigentes catalães já foram amnistiados
e o Tribunal Constitucional já lhe deu aval, mas os juízes do Tribunal
Supremo de Espanha continuam a recusá-la a Puigdemont, numa batalha
legal cujo desfecho está ainda em aberto e que não esgotou todas as
instâncias.A direção do JxCat anunciou na
segunda-feira a intenção de romper os acordos com o PSOE, mas decidiu
deixar a decisão nas mãos dos militantes, que foram chamados a
pronunciar-se numa votação 'online' que terminou hoje ao final da tarde.Num
comunicado, o JxCat revelou que 86,88% dos militantes que votaram optou
pelo sim ao fim dos acordo com os socialistas, 10,22% votou contra e
2,8% votou em branco.Participaram 66,29% dos militantes do partido, que rondam os 6.600.A
rutura com o PSOE traduzir-se-á no fim de reuniões periódicas com um
observador internacional que os dois partidos tinham na Suíça desde 2023
e no fim de negociações privilegiadas no parlamento espanhol com vista a
aprovação de medidas do Governo, disse o JxCat, que tem sete deputados.O
fim dos acordos não se traduz, pelo menos para já, numa queda do
Governo de Sánchez, que obrigaria o JxCat a aliar-se ao Partido Popular
(PP, direita) e ao Vox (extrema-direita) numa moção de censura ao
executivo, algo que os independentistas dizem estar fora de questão."O
Governo espanhol não poderá recorrer à maioria da investidura [uma
geringonça de oito partidos], não terá orçamentos, não terá capacidade
para governar. Poderá ocupar poltronas, mas não poderá governar. Poderá
ter poder, mas não poderá exercer o governo", disse Puigdemont na
segunda-feira, quando defendeu o fim dos acordos com o PSOE.Apesar
da maioria que reuniu no parlamento para a reeleição como
primeiro-ministro em 2023, Pedro Sánchez ainda não conseguiu aprovar
qualquer orçamento do Estado nesta legislatura, por não ter conseguido o
apoio de todos os partidos necessários.