Participação eleitoral “diminuiu de forma significativa” desde 1975
25 Abril
Hoje 16:39
— Lusa/AO Online
O
estudo revela que entre 1975 e este ano “registou-se
uma tendência de diminuição da participação eleitoral, não obstante a
recuperação verificada nas eleições dos anos mais recentes” e que essa
“tendência decrescente” se regista “qualquer que seja o tipo de ato
eleitoral”.De acordo com o INE - que
considerou para esta análise o número de votantes em eleições
presidenciais, legislativas, para as presidências de câmaras municipais,
europeias e para a Assembleia Constituinte, em 1975 - a taxa de
participação média mais elevada regista-se em eleições para a Assembleia
da República (65,4%) e a mais baixa nos sufrágios para o Parlamento
Europeu (40,8%).Já no que toca a eleições presidenciais, a média fica nos 58,8% e nas autárquicas em 60,7%.Comparando
todos os atos eleitorais de âmbito nacional desde 1975, a eleição para a
Assembleia Constituinte, um ano depois da revolução, teve a taxa de
participação eleitoral mais alta, com 91,7% dos eleitores a irem às
urnas, enquanto a eleição para o Parlamento Europeu de 2019 foi aquela
em que menos portugueses saíram de casa para ir votar, apenas 30,7%.“Consideradas
todas as eleições de âmbito nacional em Portugal, de 1975 a 2026, a
taxa média de participação eleitoral da população residente em
território nacional e no estrangeiro foi de 58,5%. Esta percentagem sobe
para 61,2% se considerada apenas a população inscrita e votante
residente em território nacional”, refere também.O
instituto assinala que “até 1987 a participação ultrapassou diversas
vezes os 70%”, mas após 2006 “apenas nos dois últimos anos eleitorais
essa participação atingiu a fasquia dos 60% - e apenas entre os
eleitores residentes em Portugal”.Numa
análise por décadas, o INE indica que “a taxa diminuiu de 79,0% nos anos
de 1970, para 47,5% nos anos de 2010”, e registou “uma ligeira
recuperação na década mais recente para 51,0%”.No
Alentejo e Norte do país registam-se as maiores taxas de participação
em eleições nacionais, seguindo-se a Grande Lisboa e o Oeste e Vale do
Tejo, enquanto Açores, Madeira e Algarve têm os valores mais baixos.Comparando
diferentes atos eleitorais, o estudo encontra “uma aproximação” entre
eleições presidenciais e legislativas e, no que toca a autárquicas, “o
decréscimo da participação é menos acentuado, com taxas de participação
genericamente superiores às dos restantes atos eleitorais nos anos mais
recentes”.“Quanto à participação em
eleições europeias, observam-se taxas mais baixas, embora também
evidenciando uma tendência de decréscimo”, acrescenta, referindo ainda
que “a participação nas eleições europeias tem ficado aquém da média
europeia”.As eleições europeias são também
aquelas com maior percentagem média de votos em branco (2,5%), enquanto
as presidenciais e legislativas têm os valores mais baixos (ambas com
1,4%).Esta análise concluiu também que “o
aumento do número de inscritos no estrangeiro não representou ganhos
significativos de participação eleitoral global (ficando aquém da
participação de residentes em Portugal)”.Desde
25 de Abril de 1974, realizaram-se 53 atos eleitorais de âmbito
nacional: 11 eleições presidenciais (duas delas, 1986 e 2026, com dois
sufrágios), 19 eleições legislativas (incluindo para a Assembleia
Constituinte, em 1975), 14 eleições para os órgãos das autarquias locais
(Câmaras Municipais, Assembleias Municipais e Assembleias de Freguesia)
e nove eleições para o Parlamento Europeu, de acordo com o INE.Esta
análise não incluiu as eleições legislativas regionais dos Açores e da
Madeira, as autárquicas para as assembleias municipais freguesias, nem
os referendos nacionais, é indicado.