Paróquia da ilha do Corvo avança com obras na cobertura da igreja matriz
Hoje 13:54
— Lusa/AO Online
Segundo o padre João
Farias, as obras são consideradas urgentes e vão ser realizadas com o
apoio da Câmara Municipal do Corvo, que atribuiu um apoio de 108 mil
euros, correspondente à estimativa do investimento.Entretanto,
como a paróquia também realizou ações de angariação de fundos e reuniu
donativos de emigrantes, vai ter possibilidade de executar outras
intervenções no templo católico, edificado em 1795.“Já
conseguimos [dinheiro para a obra] com a ajuda da Câmara Municipal da
Vila do Corvo, que deu a totalidade para a cobertura do teto, os 108 mil
[euros] que nos faltavam. Os emigrantes também mandaram a sua
contribuição e a população residente também tem aderido aos eventos [de
recolha de fundos]”, disse o sacerdote.João
Farias referiu que a paróquia pediu dois orçamentos e a obra foi
entregue a um empreiteiro local que no passado realizou intervenções na
igreja matriz, nas salas da catequese e na sacristia.A
intervenção na igreja é muito desejada pela comunidade da mais pequena
ilha dos Açores e avançará logo que os materiais cheguem ao Corvo.“Estamos
só à espera que cheguem os materiais à ilha, que ainda demoram a chegar
- têm que vir do continente -, para depois procedermos às respetivas
licenças e começarmos a obra tão desejada e esperada”, disse o sacerdote
à Lusa, perspetivando que, na melhor das hipóteses, a obra possa
começar “no início do próximo ano”. “Estou
nessa esperança, mas ficamos sempre dependentes dos transportes
marítimos, que, às vezes, demoram mais do que aquilo [que é] esperado”,
admitiu.O padre explicou que o objetivo
inicial era fazer apenas as obras de substituição da cobertura da igreja
matriz de Nossa Senhora dos Milagres, mas como o município contribuiu
com 108 mil euros, que é o valor dessa intervenção, a restante verba
angariada servirá para “fazer mais restauros”, nomeadamente ao nível da
pintura e das portas.“Se fosse para fazer
na sua totalidade o restauro da igreja era muito [esforço financeiro]
para a população e, então, vamos fazendo aos pouquinhos, conforme o
dinheiro que vamos tendo”, disse.João
Farias reconhece a importância do apoio recebido do único município da
ilha, pois “era quase insuportável” a paróquia conseguir a totalidade da
verba para a intervenção prevista na cobertura.“São
muitas coisas [a necessitar de obras], que não são fruto de um ano nem
de dois, já são de há alguns anos, que se foram deteriorando, e que
agora precisam de se fazer urgentemente para não piorar ainda mais”,
concluiu.Ainda de acordo com o sacerdote, “chove imenso” no interior da igreja matriz, principalmente na parte do coro alto.Para
a realização das obras, face à inexistência de verbas, a paróquia
realizou nos últimos meses iniciativas de angariação de fundos junto da
população e dos visitantes, com a campanha “Todos juntos somos mais”.No
âmbito da iniciativa foram realizadas vendas de produtos gastronómicos
confecionados pela comunidade, como torresmos, sobremesas, biscoitos
(conhecidos localmente por torradas docinhas), filhós e bifanas, e
arrematações de vários produtos e artigos também oferecidos pelos
residentes. Como se trata de uma paróquia
pequena e sem grandes expedientes financeiros, o padre do Corvo indicou à
Lusa, em dezembro de 2025, que não podia recorrer a financiamento
bancário para realizar as obras.A matriz de Nossa Senhora dos Milagres é a única igreja que existe na ilha.Foi
construída em 1795 sob a invocação de Nossa Senhora do Rosário, mas, em
2014, passou a ter como orago a Senhora dos Milagres, por decreto da
Santa Sé, porque os habitantes da vila do Corvo e da vizinha ilha das
Flores pediam a intercessão da Senhora dos Milagres e “eram atendidos”,
explicou o sacerdote.A festa de Nossa
Senhora dos Milagres, a padroeira da ilha, que tem cerca de 400
habitantes, é celebrada anualmente no dia 15 de agosto.Segundo
a página Igreja Açores, neste dia, o centro do cortejo religioso “é o
andor da Senhora, onde segue a imagem, uma escultura flamenga de
Malines, datada do século XVI e devidamente ornamentada com o seu
tesouro: a coroa e o rosário em ouro”, que, segundo a tradição, terão
sido oferecidos pelos piratas.