Paróquia açoriana de São José comemora 500 anos do Convento de São Francisco
13 de mar. de 2024, 17:19
— Lusa
“É um
projeto de sonho, de divulgação do património e de memória histórica, de
identidade. É um projeto de diálogo com o mundo contemporâneo”,
destacou hoje Duarte Melo, pároco da Paróquia de São José, na cidade de
Ponta Delgada, na ilha de São Miguel.Duarte
Melo falava numa conferência de imprensa na Igreja de São José, na
apresentação do programa das comemorações dos 500 anos da edificação do
Convento de São Francisco, que arrancam domingo e se prolongarão até ao
final de 2025, coordenadas pela Equipa da Pastoral da Cultura da
paróquia.A celebração dos 500 anos da
fundação do Convento de São Francisco insere-se na comemoração dos 500
anos da Diocese de Angra e “evoca o papel da Igreja Católica nos Açores,
na afirmação da identidade do povo açoriano, na dimensão religiosa e
espiritual, mas também cultural, artística e intelectual”, vincou Duarte
Melo.Do Convento de São Francisco de
Ponta Delgada resta a Igreja de São José, cuja construção teve início em
1709 e está localizada no Campo de São Francisco, o claustro, uma parte
do qual está integrada na Igreja, e ainda o claustro superior.O
pároco explicou também que a restante parte do claustro é da
responsabilidade da Santa Casa da Misericórdia e está atualmente
transformada num hotel.Ao longo destes 500 anos, o local teve sempre como invocação Nossa Senhora da Conceição, padroeira do Convento.As
celebrações dos 500 anos do Convento de São Francisco iniciam-se
domingo na Igreja de São José, com uma celebração eucarística, pelas
11:00 locais (12:00 em Lisboa) presidida pelo bispo de Angra, D. Armando
Esteves Domingues, ocasião em que se celebrará o padroeiro da paróquia,
São José.Um dos destaques vai para a
inauguração, em abril de 2025, de um circuito visitável da Igreja de São
José, onde o visitante poderá observar o património do templo e uma
pintura recuperada de evocação a Nossa Senhora da Conceição.Em
abril de 2025 será também inaugurado o Núcleo de Liturgia e Música, no
espaço da Igreja de São José, que reunirá, em exposição visitável,
objetos litúrgicos e musicais pertencentes ao espólio artístico do
templo.O programa compreende um ciclo de
nove conferências na Igreja de São José para reflexão e debate sobre
memória e identidade no Atlântico.A música
é outro dos destaques, estando previstos um ciclo de três concertos na
Igreja de São José, enolvendo o Coral de São José e outros músicos,
dando expressão à música desde o século XVI ao XXI.Um
concerto sinfónico cuja temática é a religiosidade e a evocação do
divino e um ciclo de dois concertos para órgão, numa seleção de obras
adequadas ao órgão histórico de São José, com organistas nacionais e
internacionais, são outras das propostas das comemorações.Duarte
Melo adiantou que será endereçado um convite a um conjunto de 10 a 15
artistas plásticos para a criação de uma peça inspirada no espírito das
comemorações, as quais serão reunidas numa exposição de arte moderna em
Ponta Delgada, em setembro de 2025.Por
outro lado, o programa prevê a atualização e reedição da obra “Igreja
Paroquial de São José Nossa Senhora da Conceição: Património Móvel e
Integrado”, editada pela paróquia, em janeiro de 2013, e “há muito
esgotada”, acrescentou.As conferências
realizadas no decurso do programa serão editadas num livro de atas e
será feita a edição, em livro, das “Conversas na Sacristia”, que se
realizam periodicamente na Igreja de São José, desde março de 2023, um
espaço de reflexão plural, aberto a crentes e não crentes.Pedro
Gomes, da Pastoral da Cultura da Paróquia de São José, realçou que o
quadro desenhado para as comemorações "tem o significado de valorizar o
património dos espaços religiosos" e "resgata" a memória ao longo de 500
anos.As comemorações têm o Alto
Patrocínio do Presidente da República, do chefe do executivo açoriano,
sendo a Comissão de Honra presidida pelo bispo de Angra, D. Armando
Esteves Domingues.