Parlamento regional dos Açores rejeita projetos de resolução do BE sobre a SATA
Hoje 10:41
— Lusa/AO Online
O projeto de resolução
que propunha a manutenção no grupo SATA da nova empresa de assistência
em escala ('handling') foi rejeitado com votos contra de PSD, Chega,
CDS-PP, PPM e IL, votos a favor de BE e PAN e abstenção do PS.O
segundo, relativo ao acordo estratégico entre as companhias aéreas SATA
e TAP, foi chumbado com votos contra de PSD, CDS-PP, PPM, IL e PAN,
votos a favor de Chega e BE e abstenção do PS.Na
apresentação das propostas, o deputado do BE António Lima referiu que o
grupo SATA é constituído por empresas estratégicas para a região e é “o
instrumento mais importante para a mobilidade dos açorianos”.Contudo,
sublinhou, apesar de o executivo regional de coligação PSD/CDS-PP/PPM
“prometeu salvar a SATA”, hoje está “cada vez mais claro que o que tem
sido feito é desmantelar” a empresa.O
Governo Regional, disse António Lima, “está a preparar a privatização
total da Sata Handling, a nova empresa do grupo para onde transitaram
cerca de 640 trabalhadores”, mas a decisão é “um enorme erro”.“Separar
e privatizar esta função significa que o grupo SATA passará a depender
totalmente de uma empresa privada que terá, na prática, um monopólio num
mercado de pequena dimensão como o nosso”, alegou.Quanto
ao futuro da Azores Airlines/SATA Internacional, em processo de
privatização, o deputado do BE lamentou que o executivo insista “numa
solução que já falhou três vezes”, considerando que privatizar a empresa
em seis meses é “uma corrida contra o tempo que só pode correr mal”.Assim,
defendeu, deveria existir um acordo estratégico entre a SATA e a TAP,
que permitisse “reforçar a conectividade dos Açores, criar ganhos de
escala e eficiência, aumentar a resiliência operacional e, ao mesmo
tempo, preservar a autonomia regional e a missão” da companhia açoriana.Pelo
PS, Carlos Silva concordou que o Governo Regional devia ter tentado
“manter o controlo do ‘handling’, tendo em conta a importância que tem”
para a região.Quanto à proposta de acordo
estratégico entre as companhias aéreas SATA e TAP, o deputado socialista
rejeitou a solução, argumentando que as empresas estão em processo de
privatização.Pelo PSD, Paulo Simões
lembrou que não foi o atual executivo de coligação que “inventou a
privatização do ‘handling’”, mas foi “empurrado” para tal “pela má
governação que o PS fez” da SATA.Por outro
lado, acrescentou, atendendo aos dois processos de privatização que
estão em curso, “nem a TAP pode negociar com a SATA, nem a SATA pode
negociar com a TAP”.Por sua vez, o
parlamentar Francisco Lima (Chega) contrapôs que a privatização do
‘handling’ evitará a sua insolvência por incumprimento daquilo que é
exigido pela União Europeia.“Se existe uma
posição da União Europeia para a privatização da empresa, o que é que o
senhor pretende fazer”, questionou também João Mendonça (PPM),
dirigindo-se ao deputado do BE.Já Nuno
Barata (IL) disse ter “imensas dúvidas” sobre como o Governo dos Açores
quer “vender” a Azores Airlines, antevendo que se chegará ao final de
2026 e não se irá “ter nem TAP, nem Azores Airlines vendidas e os
açorianos e os portugueses vão, mais uma vez, assumir os prejuízos”.“Não
concordamos que haja o ajuntamento de duas companhias completamente
falidas”, acrescentou o parlamentar Pedro Neves (PAN) sobre a proposta
de parceria entre SATA e TAP.Pedro Pinto
(CDS-PP) considerou as iniciativas do BE como “um absurdo político”,
perguntando a António Lima onde é que as propostas se enquadram na
decisão de privatização das duas empresas do grupo SATA.Por
parte do Governo Regional, o secretário das Finanças, Duarte Freitas,
esclareceu que as operações em curso inserem-se no plano de
restruturação assinado com a Comissão Europeia e garantiu que o serviço
de ‘handling’ “será sempre prestado por uma SATA pública, por uma SATA
privada, ou por quem vencer o concurso das obrigações do serviço público
(OSP)”.Quanto à junção da TAP e da SATA,
Duarte Freitas lembrou que “há acordos estratégicos” entre os dois
grupos de aviação, mas que na fase em que está o processo de
restruturação da SATA, outros tipos de acordos societários “são
totalmente inviáveis”.Na sessão plenária
de hoje o parlamento dos Açores aprovou ainda, por unanimidade, um
projeto de decreto legislativo que cria mecanismos de promoção e
utilização obrigatória de sal iodado na administração pública regional,
apresentado por PSD, CDS-PP e PPM.