Parlamento recomenda campanha de vacinação obrigatória contra língua azul
16 de jan. de 2025, 16:30
— Lusa/AO Online
Num diploma
publicado em Diário da República, o parlamento recomenda ao Governo
que “realize, com urgência, uma campanha obrigatória e gratuita de
vacinação do efetivo ovino nacional contra a doença língua azul –
serotipo três”. A Assembleia da República
pede ainda medidas de apoio financeiro para os agricultores, de modo a
fazer face aos prejuízos causados por esta doença. Por
outro lado, recomenda o ajuste das medidas da Política Agrícola Comum
(PAC), evitando que os produtores percam as ajudas “em consequência da
diminuição do número de animais mortos pela doença língua azul –
serotipo três”. Esta recomendação, assinada pelo presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar Branco, foi aprovada no domingo. O
vírus da língua azul já matou mais de 37000 ovinos e afetou 1800
explorações, num total de 118607 infetados, segundo dados da
Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) enviados à Lusa na
semana passada. Contabilizam-se, até agora, 118607 ovinos infetados pela doença da língua azul. Estes dados refletem apenas as notificações recebidas por esta direção-geral, pelo que os números podem ser ainda superiores. O número de ovinos mortos está em 37395 e o das explorações em 1834. O
Governo da República financiou 385050 doses de vacina contra o serotipo três do
vírus da língua azul, num montante que ultrapassa os 982318 euros,
sobretudo para os distritos de Portalegre, Évora, Beja e Castelo Branco,
segundo dados enviados à Lusa.A execução financeira da subvenção atribuída está em 97,6%. Para financiar a vacinação, o Governo alocou um milhão de euros, no ano passado, às organizações de produtores. No total, os custos da aquisição da vacina contra o serotipo três da língua azul foram pagos a 34 organizações. Portugal
continental foi afetado pelos serotipos três e quatro do vírus da
língua azul desde outubro. Os Açores e a Madeira estão livres desta
doença.A vacinação dos ovinos reprodutores
adultos e dos jovens destinados à reprodução, bem como dos bovinos, é
obrigatória contra os serotipos um e quatro do vírus da língua azul. Contra os serotipos três e oito é permitida a vacinação dos bovinos e ovinos do continente. Mediante
uma autorização prévia da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária
(DGAV), é ainda possível vacinar, a título excecional, com vacinas
inativadas contra serotipos da língua azul, não presentes em Portugal. A vacinação obrigatória é fornecida pela DGAV às Organizações de Produtores Pecuários para a Sanidade Animal (OPSA). O
Governo vai ainda lançar um plano de desinsetização a partir de março,
com uma duração de oito meses, para combater a doença, transmitida por
mosquitos. A febre catarral ovina ou
língua azul é uma doença viral, de notificação obrigatória, que afeta os
ruminantes e não é transmissível a humanos.Em
Portugal estavam a circular três serotipos de língua azul, nomeadamente
o BTV-4, que surgiu, pela primeira vez em 2004 e foi novamente detetado
em 2013 e 2023, o BTV-1, identificado em 2007, com surtos até 2021, e o
BTV-3, detetado, pela primeira vez, em 13 de setembro.