Parlamento propõe criação de programa para regresso de profissionais de saúde emigrados
8 de nov. de 2022, 17:50
— Lusa/AO Online
Numa resolução publicada em Diário da República, a Assembleia da República propõe “a criação
de um Programa ‘Regressar Saúde’, com incentivos dirigidos
especificamente a profissionais de saúde portugueses, nomeadamente
enfermeiros e médicos, que se encontrem emigrados e que pretendam
regressar a Portugal”.Para o presidente do
Sindicato dos Enfermeiros (SE), Pedro Costa, “é, no mínimo, paradoxal
que se pretenda criar regimes de incentivo a profissionais de Saúde que
emigraram”, quando nem sequer estão asseguradas as condições que
incentivem os que continuam a trabalhar em Portugal a permanecer no
país.A Resolução da Assembleia da
República resulta de uma iniciativa do partido Livre e foi aprovada a 14
de outubro com os votos a favor do PS, PSD, Chega, Iniciativa Liberal,
PAN e Livre. Pedro Costa, citado em
comunicado, questiona “que sentido faz criar regimes de incentivos
especiais para que regressem, quando eles saíram por não terem condições
dignas para trabalhar” em Portugal.“Aquilo
que se tem verificado nos últimos anos é que são os enfermeiros mais
qualificados que estão a emigrar”, lamenta o dirigente sindical,
lembrando que o SE “luta há décadas” para que sejam criadas condições
para que os enfermeiros se fixem em Portugal e, mais concretamente, no
Serviço Nacional de Saúde.Na véspera de
uma reunião suplementar com o Ministério da Saúde para procurar concluir
o processo negocial iniciado em maio passado, Pedro Costa considera
esta resolução, “aprovada com os votos a favor do partido que sustenta o
Governo”, quase uma afronta ao Sindicato dos Enfermeiros. “Valorize-se
a enfermagem em Portugal, reponha-se a avaliação de desempenho sem
condicionalismos, dignifique-se a carreira e criem-se condições para os
enfermeiros se sentirem motivados para continuar a trabalhar no nosso
país”, defende o presidente do SE. Apesar
de concordar que se criem condições para garantir que os enfermeiros que
emigraram se sintam motivados a regressar, Pedro Costa defende que
“isso não pode suceder” sem antes terem sido criadas “condições dignas
para todos aqueles que, diariamente, dão o seu melhor para manter a
funcionar com um mínimo de dignidade” o Serviço Nacional de Saúde.“Acreditamos
que irá prevalecer o bom senso e na reunião de amanhã [quarta-feira] o
Ministério da Saúde irá mostrar abertura para aceitar as reivindicações
que têm norteado as posições do SE nas negociações com a tutela”,
sustenta Pedro Costa.