Parlamento lamenta morte da escritora Filomena Marona Beja
11 de jan. de 2024, 22:13
— Lusa
No
voto de pesar relativo a Filomena Marona Beja, apresentado pelo Bloco
de Esquerda, lê-se que a escritora, que morreu aos 79 anos, nasceu em
Lisboa em 1944 e estudou no liceu francês Charles Lepierre e na
Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.“Profissional
na área da documentação técnico-científica, atividade que desenvolveu
até 2008, estreou-se como escritora com o romance ‘As Cidadãs’ em 1998”,
que “retrata não só a vida de Júlia, uma mulher excecional, mas também a
condição das mulheres portuguesas na viragem da Monarquia para a
República, no início do século XX”, refere-se.Segundo
o texto, com esse romance, “que seria reeditado a propósito do
centenário da República, Filomena Marona Beja iniciou um percurso
literário que resultou na publicação de cerca de duas dezenas de obras,
em Portugal e no estrangeiro, de géneros tão diferentes como o romance, o
conto, a novela ou a crónica”.“Entre
outras distinções, Filomena Marona Beja ganhou o Grande Prémio de
Literatura DST em 2006 com a publicação do livro ‘A Sopa’ (2004) e o
Grande Prémio de Romance e Novela da APE/DGLB com a publicação de ‘A
Cova do Lagarto’ (2007), romance biográfico que resultou de uma recolha
de dados ao longo de vinte anos sobre Duarte Pacheco”, destaca-se.No
voto de pesar, cita-se a nota conjunta divulgada pela família e Edições
Parsifal que refere que Filomena Marona Beja deixa “um legado literário
e humano que caracteriza um ‘grito vivo de defesa dos ideais de
liberdade e de solidariedade, pelos quais sempre lutou e que
abnegadamente defendeu’”.Já relativamente a
Albano Cordeiro, que morreu em 30 de dezembro aos 85 anos, o parlamento
aprovou um voto de pesar apresentado pelo PS, que considera que o
sociólogo e economista foi “uma referência maior da presença portuguesa
em França pela sua intervenção cívica, pela relevância do seu trabalho
académico e pela dinamização do movimento associativo”.No
texto, refere-se que, em Albano Cordeiro, se pode “ver um verdadeiro
cidadão do mundo, pela adoção das suas várias identidades: português,
francês, mas também moçambicano e italiano, o que só comprova o seu
sentido humanista”.“Foi um académico
‘engagé’, professor e investigador no Centre National de Recherche
Scientifique, em Grenoble, na Universidade Denis Diderot, em Paris VII e
laureado em economia e demografia pela Universidade La Sapienza, de
Roma”, sublinha-se. O voto de pesar indica
ainda que Albano Cordeiro foi “autor de vários trabalhos sobre a
imigração portuguesa e sobre o movimento associativo”, assim como “um
ativista dos direitos humanos e defensor dos migrantes”, tendo procurado
incentivar a participação cívica e política da comunidade portuguesa em
França. “Albano Cordeiro era uma
referência incontornável para os portugueses em França, com o seu
percurso denso e a sua atividade multifacetada, com uma perspetiva
lúcida e humanista das migrações, que marcou a perceção sobre a
imigração portuguesa em França. O seu contributo é inestimável. A sua
perda deixa um grande vazio”, lê-se.