Parlamento húngaro aprova reformas legislativas para aceder a fundos comunitários
4 de mai. de 2023, 08:55
— Lusa/AO Online
As emendas, aprovadas pelos deputados do partido Fidesz do primeiro-ministro, o
ultranacionalista Viktor Orbán, são consideradas insuficientes pela
oposição.Entre as emendas adotadas
destaca-se o veto à reeleição do presidente de Tribunal Supremo (Kúria) e
a introdução de condições mais severas para aceder ao cargo. Também
são reforçados os poderes do Conselho Nacional do Poder Judicial (a
entidade de autogoverno dos juízes), como, por exemplo, o seu papel no
processo de eleição do presidente da Kúria.Por
outro lado, as autoridades públicas já não podem recorrer à Kúria das
decisões judiciais que considerem que afetam os seus direitos. Bruxelas
mantém congelados 22 mil milhões de euros de fundos dest9andos à
Hungria, até que o governo do país garanta que os programas para os
utilizar respeitam os valores e as regras comunitárias em termos de
independência judicial, leis da educação, liberdade académica, direito
de asilo e corrupção. Em comunicado
conjunto, várias organizações não governamentais do país, como Amnistia
Internacional, Comité Helsínquia e o Instituto Eötvös Károly, já
consideraram que, apesar das alterações aprovadas, a legislação sobre o
setor da justiça ainda mantém vários assuntos problemáticos. O
maior partido da oposição, a Coligação Democrática, considera que a
reforma é “insuficiente” para assegurar a necessária independência do
poder judicial, razão pela qual os seus deputados não participaram na
votação. Seja como for, a aprovação das
emendas não garante o acesso automático às verbas comunitárias, uma vez
que Bruxelas ainda as vai analisar e ver como são cumpridas.