Parlamento fixa agora até segunda-feira prazo para entrega de listas aos órgãos externos
Hoje 17:11
— Lusa/AO Online
Já a data das eleições para os
órgãos externos – entre as quais a do Provedor de Justiça, três juízes
do Tribunal Constitucional e cinco membros do Conselho de Estado – será
debatida e marcada na próxima reunião da conferência de líderes, dia 04
de março.Na quarta-feira à noite, em
entrevista à SIC Notícias, o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares,
anunciou que iria pedir hoje o adiamento do prazo para a entrega de
listas para os órgãos externos ao parlamento, mas manifestou-se convicto
de que os lugares estarão eleitos em “duas semanas”.Questionado se o PSD quer fazer um acordo alargado com PS e Chega, Hugo Soares respondeu: “Esse é o meu propósito”."Não
foi possível ainda chegar a um consenso entre os três partidos com
maior representatividade parlamentar”, declarou, sem indicar o motivo do
impasse negocial e admitindo que esta demora não é normal nem
desejável.Antes deste novo adiamento, as
eleições para os órgãos externos do parlamento estavam marcadas para 06
de março, mas essa data terá de ser obrigatoriamente alterada.De
acordo com o Regimento da Assembleia da República, a apresentação de
candidaturas deve ser efetuada perante o presidente da Assembleia da
República até sete dias antes da data da eleição. Ora, o prazo para a
entrega de candidaturas passou agora para 02 de março.Por
sua vez, o artigo 14.º da Lei do Tribunal Constitucional determina que
as candidaturas devem ser entregues até cinco dias antes da reunião
marcada para a eleição.Por outro lado,
algumas das eleições em causa pressupõem a realização prévia de audições
em comissão – caso dos candidatos a juízes do Tribunal Constitucional,
Provedor de Justiça ou a membros dos conselhos superiores de
Magistratura e Ministério Público -, o que implica uma preparação e
organização dos trabalhos parlamentares.Desde
o início da presente legislatura, o parlamento já marcou por várias
vezes estas eleições, mas foram sucessivamente adiadas por ausência de
um acordo global entre as três maiores forças políticas: PSD, Chega e
PS.Na segunda-feira, em Setúbal, quando
foi confrontado com o penúltimo pedido de adiamento, o presidente da
Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, registou o consenso
alcançado entre os partidos para adiarem o prazo para a entrega de
listas, mas deixou um recado:“Espero que
seja a última vez que isto aconteça. Espero que com este adiamento seja
possível obter o consenso na apresentação dos candidatos, de modo a que
sejam preenchidos todos os cargos”, declarou.Nestas
negociações, em virtude da atual configuração parlamentar, o PSD é o
partido central, já que nenhuma maioria de dois terços pode ser formada
no parlamento sem a participação dos sociais-democratas. E as eleições
do Provedor de Justiça e dos três juízes do Tribunal Constitucional
requerem precisamente maiorias de dois terços.Na
quarta-feira à noite, o presidente da bancada do PSD referiu que também
está em causa a escolha de membros do Conselho Superior do Ministério
Público, do Conselho Económico e Social, Conselho Superior da
Magistratura, Conselho de Opinião da RTP, Conselho de Fiscalização do
Sistema Integrado de Informação Criminal, Conselho de Segurança Interna e
Conselho de Defesa Nacional.“Creio,
sinceramente, estou em condições de dizer com algum grau de confiança
que no prazo de duas semanas temos todos os lugares eleitos”, afirmou.Ao
contrário do Tribunal Constitucional e Provedor de Justiça, a eleição
dos cinco membros do Conselho de Estado – o órgão de aconselhamento do
Presidente da República – faz-se por método de hondt.Na
atual legislatura, o PSD tem 89 deputados, o Chega 60, o PS 58, a IL
nove, o Livre seis, o PCP três, o CDS-PP dois, e BE, PAN e JPP um cada.À
partida, se os respetivos deputados participarem todos na eleição para o
Conselho de Estado, o PSD tem assegurados dois dos cinco mandatos, e o
Chega e o PS um cada. A atribuição do quinto mandato é mais incerta e
depende do número de listas concorrentes e de eventuais alianças ou
apoios de outros partidos, podendo variar por uma questão de um ou dois
votos.