Parlamento Europeu suspende negociações sobre orçamento a longo prazo da UE
20 de dez. de 2019, 12:22
— Lusa/AO Online
“Após o fracasso do Conselho em avançar com a
sua proposta para o quadro financeiro plurianual 2021-2027, os líderes
dos grupos políticos do Parlamento Europeu concordaram em suspender
grande parte das negociações sobre o futuro orçamento da UE”, refere a
assembleia europeia em comunicado.Decidido
ficou também que ficarão suspensas as “conversações sobre acordos
temporários ou parciais”, referem os líderes das bancadas na nota,
sublinhando que “nada está de acordo até que tudo esteja de acordo”.Na
cimeira de líderes europeus, que decorreu em Bruxelas no final da
semana passada, registou-se a “morte diplomática” da proposta da
presidência finlandesa sobre o próximo orçamento plurianual da União
Europeia, como classificou na ocasião o primeiro-ministro português,
António Costa.Na altura, ficou decidido
que o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, irá realizar
reuniões bilaterais com todos os Estados-membros para se passar à
negociação final do próximo quadro financeiro plurianual.Dada
a forte contestação de um grupo alargado de países, entre os quais
Portugal, à mais recente proposta de orçamento da UE colocada sobre a
mesa pela presidência finlandesa, esta foi sem surpresa rejeitada na
cimeira da semana passada, a primeira do novo ciclo institucional da UE e
a primeira presidida pelo belga Charles Michel, que passará então a
conduzir o processo (e não a presidência croata, no primeiro semestre de
2020).As diferenças são de vulto entre as
posições dos contribuintes líquidos – que pretendem evitar um aumento
das respetivas contribuições à luz da saída do Reino Unido, que
integrava esse grupo – e dos países que mais dependem dos fundos,
designadamente os “amigos da coesão”, como Portugal, que rejeitavam em
absoluto a última proposta finlandesa.A
mais recente proposta de Helsínquia, que assegurou a presidência
rotativa do Conselho da UE no segundo semestre deste ano, defendia
contribuições dos Estados-membros equivalentes a 1,07% do Rendimento
Nacional Bruto conjunto da UE a 27 (sem o Reino Unido), valor abaixo da
proposta original da Comissão Europeia (1,11%) e liminarmente rejeitado
por um grupo alargado de países, como Portugal (que defende pelo menos
1,16%), assim como pelo Parlamento Europeu (cuja ambição chega aos
1,3%). Na nota hoje divulgada pelo
Parlamento Europeu, o presidente da assembleia europeia, David Sassoli,
indica estar “muito dececionado com a falta de urgência dos governos
nacionais” sobre o orçamento da UE a longo prazo.“As
recentes propostas do Conselho ficam aquém das expectativas dos grupos
políticos do Parlamento. Estamos prontos para negociar com um espírito
de diálogo construtivo, mas não podemos aceitar um orçamento incapaz de
cumprir as promessas feitas aos cidadãos da UE”, afirma.E avisa: “Enquanto não houver progresso por parte do Conselho, não podemos continuar com essas negociações”.Reagindo
a este comunicado, a Comissão Europeia garantiu hoje, através do
porta-voz para as questões do orçamento, Balazs Ujvari, estar disponível
para apoiar as negociações sobre o quadro financeiro plurianual
2021-2027, afirmando esperar que se possa chegar a um acordo “no início
do próximo ano”.