Parlamento Europeu questiona líderes europeus sobre novas sanções à Rússia
Ucrânia
3 de jun. de 2022, 16:56
— Lusa/AO Online
No âmbito da sessão
plenária do Parlamento Europeu, que decorre entre segunda-feira e
quinta-feira na cidade francesa de Estrasburgo, os parlamentares vão
debater, na quarta-feira, os resultados da cimeira europeia
extraordinária de final de maio, na qual foi dada ‘luz verde’ ao sexto
pacote de sanções à Rússia, prevendo-se a participação dos presidentes
do Conselho Europeu, Charles Michel, e da Comissão Europeia, Ursula von
der Leyen.Ainda nesse dia, pela manhã, o
presidente do parlamento ucraniano, Ruslan Stefanchuk, estará
presencialmente com os eurodeputados numa sessão solene no hemiciclo de
Estrasburgo.No dia anterior, na
terça-feira, os eurodeputados vão questionar o Alto Representante da UE
para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Josep Borrell,
sobre os esforços europeus para abordar o impacto da guerra na Ucrânia
em países terceiros, num formato de perguntas consecutivas ao chefe da
diplomacia europeia.A UE aprovou esta
semana o sexto pacote de sanções à Rússia devido à sua agressão militar à
Ucrânia, deixando o líder da Igreja Ortodoxa russa de fora da lista de
indivíduos alvo de medidas restritivas, por pressão da Hungria. Depois
do acordo político alcançado pelos chefes de Estado e de Governo dos 27
na cimeira celebrada no final de maio em Bruxelas, os embaixadores dos
Estados-membros deram ‘luz verde’ ao sexto pacote de sanções, que tem
como elemento central um embargo progressivo às importações de petróleo
russo, anunciou a presidência francesa do Conselho da UE.Neste
pacote, depois de ter conseguido exceções para a Hungria a nível do
embargo ao petróleo, o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, logrou
também que fosse retirado da lista de sanções o patriarca russo ortodoxo
Cirilo, que fazia parte de uma lista de mais 58 indivíduos a serem
sancionados, proposta há um mês pela Comissão Europeia, e da qual consta
também o coronel e comandante da operação militar em Bucha, conhecido
como 'Carniceiro de Bucha'.Ainda na
próxima terça-feira, o Parlamento Europeu vai questionar a líder do
executivo comunitário sobre a aprovação do plano de recuperação e
resiliência (PRR) da Polónia, com os parlamentares a manifestarem
“preocupação” pela “libertação dos fundos de recuperação para a Polónia
enquanto persistirem as ameaças ao Estado de direito”.“Os
eurodeputados estão particularmente preocupados com a independência
judicial, com juízes a serem assediados, perseguidos e sancionados, a
não implementação de múltiplos acórdãos do Tribunal de Justiça da UE […]
e a decisão do Tribunal Constitucional polaco que proclama a primazia
do direito nacional sobre os Tratados da UE”, elenca a assembleia
europeia em comunicado.Esta semana, a
Comissão Europeia deu finalmente parecer favorável ao PRR polaco, mas
Varsóvia terá de cumprir ainda alguns marcos a nível de reformas do
sistema judicial para começar a receber fundos.Em
causa estão 23,9 mil milhões de euros em subvenções e 11,5 mil milhões
de euros em empréstimos, ao abrigo do Mecanismo de Recuperação e
Resiliência.A presidente da Comissão
Europeia, Ursula von der Leyen, já veio avisar a Polónia que só receberá
as verbas do PRR, bloqueadas há meses devido à polémica reforma
judicial no país, quando respeitar “compromissos claros” do Estado de
direito.