Parlamento Europeu aprova orçamento plurianual da União Europeia
16 de dez. de 2020, 18:43
— Lusa/AO Online
Numa
mensagem publicada na rede social Twitter, o presidente do Parlamento
Europeu, David Sassoli, qualificou o momento de "histórico"."É
um orçamento histórico para um momento histórico. Estabelece as bases
para um novo começo: uma Europa mais verde e mais justa. Agora é o
momento de termos a coragem política e ideológica para levarmos a cabo
esta transformação radical", referiu Sassoli.Também
os dois eurodeputados portugueses envolvidos nas negociações sobre o
orçamento a longo prazo da União Europeia e o Fundo de Recuperação
reagiram à votação do Parlamento Europeu.Em
comunicado, a eurodeputada do PS e que pertenceu à equipa de
negociadores da assembleia europeia sobre o orçamento da UE a longo
prazo, Margarida Marques, refere que a “luz verde” do Parlamento Europeu
chega numa altura em que “a resposta à crise económica na Europa
originada pela pandemia é mais necessária do que nunca”. “Há
agora mais recursos para apoiar os setores mais afetados pela crise,
nomeadamente a saúde, a cultura, os direitos e valores europeus e as
políticas da União Europeia pós-pandemia, cruciais para uma recuperação
sustentável, resiliente e inclusiva”, frisou a eurodeputada portuguesa.Também
o eurodeputado do PSD e correlator do PE para a questão dos recursos
próprios, José Manuel Fernandes, sublinha que o governo de Portugal terá
de utilizar “os enormes recursos financeiros” para “promover a
competitividade, a sustentabilidade e a coesão territorial económica e
social”. “Temos de utilizar com
transparência, sem burocracia, com justiça, os mais de 19 milhões de
euros que Portugal reserva por dia até 2027. É tempo de definir as metas
e os objetivos que cada Região deve atingir e a elegibilidade dos
projetos”, referiu o eurodeputado social-democrata.O
acordo alcançado prevê um reforço de 15 mil milhões de euros
relativamente à proposta feita pelos líderes dos 27 em julho, que serão,
em grande parte, mobilizados através de multas impostas a empresas por
violações em matéria de concorrência.As
verbas adicionais serão sobretudo destinadas ao reforço de “programas
emblemáticos da UE”, como o programa de intercâmbio Erasmus+ ou o
programa de investigação Horizonte Europa.O
compromisso estabelece também um ‘roteiro’ para a introdução de novos
recursos próprios, tais como impostos sobre o digital e sobre as
transações financeiras, o mais tardar até 2026.O
Parlamento Europeu deu também luz verde ao Fundo de Recuperação de 750
mil milhões de euros – ainda que a aprovação do PE não seja necessária
para que este avance – e que, no total, prevê um pacote de 1,8 biliões
de euros para os próximos sete anos.Falta,
no entanto, que os parlamentos nacionais ratifiquem a legislação que
permite à Comissão Europeia ir aos mercados emitir dívida para financiar
o Fundo de Recuperação, para que este possa entrar em vigor.Com
548 votos a favor, 81 contra e 66 abstenções, o orçamento plurianual da
União Europeia hoje aprovado pelo PE terá ainda de ter o aval do
Conselho da União Europeia para poder começar a ser alocado a partir do
dia 01 de janeiro. A Comissão dos
Orçamentos do Parlamento Europeu e a presidência alemã já tinham chegado
a um acordo preliminar sobre o orçamento e o fundo de recuperação da UE
em novembro, tendo o processo depois sido bloqueado pela Hungria e
Polónia por não concordarem com o mecanismo que condicionava o acesso
aos fundos ao respeito do Estado de direito.No
entanto, na última quinta-feira, durante a cimeira europeia, os líderes
dos 27 chegaram a um compromisso sobre o mecanismo em questão que
permitiu o desbloqueio. O compromisso
prevê que a suspensão de fundos contemplada no mecanismo em caso de
violações do Estado de direito só se torne efetiva após decisão do
Tribunal de Justiça da UE e que não tenha efeitos retroativos,
aplicando-se apenas ao futuro Quadro Financeiro Plurianual.