Parlamento espanhol ratifica descida de impostos na energia e combustíveis
Hoje 16:31
— Lusa/AO Online
As medidas incluem a descida do IVA nos combustíveis, na eletricidade e no gás natural de 21% para 10%.O
Plano Integral de Resposta à crise no Médio Oriente, com 80 medidas e
que o Governo espanhol estima que mobilize cinco mil milhões de euros de
recursos, teve 'luz verde' do parlamento com 175 votos a favor, 33
contra e 141 abstenções.Os votos contra
foram do Vox, de extrema-direita, e as abstenções do Podemos
(extrema-esquerda) e do maior partido da oposição, o Partido Popular
(PP, direita).O PP considerou que as
medidas são insuficientes e deviam incluir uma revisão das tabelas do
imposto sobre os rendimentos (equivalente ao IRS em Portugal), para
beneficiar um conjunto mais alargado de consumidores, sobretudo por
causa dos previsíveis impactos nos preços dos alimentos e outros bens. Para o PP, baixar os imposto dos combustíveis "não alivia em nada a situação das pessoas que não usam um carro".O
ministro da Economia, Carlos Cuerpo, defendeu que o "efeito mais
visível" para já da guerra no Médio Oriente é o aumento dos preços dos
combustíveis, a par de impactos em algumas matérias-primas, como os
fertilizantes, e que as medidas com que o Governo avançou resultaram de
consultas com representantes de diversos setores da economia.O
Plano Integral de Resposta à crise no Médio Oriente aprovado em 19 de
março pelo Governo espanhol entrou em vigor no dia seguinte, mas tinha
de ser validado no prazo de um mês pelo parlamento para se manter.Além
de medidas "mais de caráter conjuntural", relacionadas sobretudo com
uma "redução drástica de toda a fiscalidade energética", o plano inclui
outras "de caráter mais estrutural", para continuar a incentivar
investimentos de particulares e empresas na descarbonização e
eletrificação da economia, em linha com o que o atual Governo espanhol
tem feito nos últimos sete anos, disse o primeiro-ministro, o
socialista, Pedro Sánchez, na semana passada.As
medidas conjunturais, de resposta imediata ao impacto da guerra nos
preços da energia, incluem, para além da baixa do Imposto sobre o Valor
Acrescentado (IVA) na luz, nos combustíveis e no gás natural, a descida
ou suspensão de outros impostos, como o imposto especial sobre
hidrocarbonetos e outros sobre a produção e consumo de eletricidade.O
pacote de medidas inclui também descontos e ajudas no gasóleo para
transportadoras e para o setor da agropecuária e da pesca, assim como
apoios para a compra de fertilizantes para a agricultura.Em
paralelo, o executivo vai reforçar os apoios para o pagamento da luz
destinados a famílias consideradas vulneráveis e será também
estabelecido um preço máximo para o gás butano e propano.No
caso da eletricidade, trata-se de um descida global de 60% dos impostos
e, nos combustíveis, o IVA passa para o valor mínimo permitido pela UE.Quanto
às medidas estruturais para aprofundar a eletrificação e
descarbonização da economia espanhola e do consumo de energia no país,
com vista à “soberania energética”, passam por deduções nos impostos em
caso de instalação de placas solares, bombas de calor ou pontos de
recarga elétrica, assim como outros incentivos e ajudas à melhoria
energética de edifícios, compra de carros elétricos ou ao aumento de
capacidades de armazenamento elétrico com baterias, entre outras.Trata-se
de responder às "consequências imediatas" da guerra e "preparar futuros
choques energéticos", resumiu o ministro da Economia, no debate no
parlamento.Na semana passada, o Governo
aprovou um diploma para congelar as rendas de casa, igualmente no quadro
dos impactos da guerra no Médio Oriente nos preços e no nível de vida,
mas para este não conseguiu, até agora, garantir apoios suficientes no
parlamento e o documento não foi ainda submetido à votação dos
deputados.As medidas agora ratificadas
ficam em vigor até junho, mas o Governo espanhol afirmou que poderão ser
prolongadas e alargadas "se a gravidade da crise se acentuar".