Parlamento espanhol cria comissão para investigar abusos de menores pela Igreja Católica
10 de mar. de 2022, 17:15
— Lusa/AO Online
Proposta
pelo Partido Socialista (PSOE), no poder, e pelo Partido Nacionalista
Basco (PNV), esta iniciativa sem precedentes foi aprovada por uma
maioria muito ampla de 277 votos num Congresso dos Deputados (câmara
baixa do parlamento) com um total de 350 membros eleitos.Ao
contrário de outros países como os Estados Unidos da América, França,
Alemanha, Irlanda e Austrália, em Espanha a violência sexual contra
menores no seio da Igreja nunca foi sujeita a uma grande investigação.O
texto votado pelos deputados prevê que esta comissão independente seja
presidida pelo provedor de Justiça e composta por representantes das
autoridades, das vítimas e do clero.A
comissão será responsável por "investigar os atos execráveis cometidos
por indivíduos contra crianças indefesas" e "identificar as pessoas que
cometeram estes abusos, bem como aqueles que os encobriram", antes de
elaborar um relatório a ser apresentado ao parlamento, de acordo com o
texto aprovado. Esta
investigação marcará "o início do fim de uma vergonha", disse
recentemente ao diário El País a deputada socialista Carmen Calvo,
ex-número dois do Governo de esquerda de Pedro Sánchez.Na
ausência de dados oficiais, o diário El País lançou o seu próprio
inquérito em 2018, listando 1.246 vítimas desde os anos 30. Por seu
lado, a Igreja só reconheceu 220 casos desde 2001.Tendo
Espanha uma forte tradição católica, a Igreja teve um papel central na
educação durante a ditadura de Francisco Franco (1936-1975). Atualmente,
mais de 1,5 milhões de crianças ainda estudam em cerca de 2.500 escolas
católicas, de acordo com números da Conferência Episcopal Espanhola de
2020.Vários
países, entre os quais Portugal, estão a investigar os alegados abusos
cometidos por membros da Igreja Católica ao longo dos anos, tendo o Papa
Francisco reiterado em 20 de janeiro último que a instituição continua
firme no seu compromisso de fazer justiça às vítimas."Na
luta contra os abusos de todo o tipo, a Igreja continua firme no
compromisso de fazer justiça às vítimas de abusos cometidos pelos seus
membros, aplicando com particular atenção e rigor a legislação canónica
prevista", disse o Papa.