Parlamento dos Açores unido nas críticas ao Governo da República devido ao subsídio de mobilidade
Hoje 16:00
— Lusa/AO Online
Na
abertura do debate de urgência do PSD, o líder parlamentar João Bruto da
Costa justificou a sua realização para “deixar claro que o apoio à
mobilidade dos açorianos e madeirenses não é um favor do Estado, é um
direito constitucional”.“E um direito não
se mendiga, cumpre‑se. […] Às mentes mais centralistas e de pensamento
colonialista enviesado, queremos deixar bem claro o seguinte: para um
açoriano a sua autoestrada é o avião, o seu itinerário principal é um
aeroporto, o seu itinerário complementar é um aeródromo e a sua linha do
comboio é uma fila de 'check-in'. Um Bombardier Q400 é a nossa Via do
Infante, um Airbus A321 é a nossa A1, um Embraer 190 é a nossa Linha do
Norte”, afirmou.Bruto da Costa recordou
que para viajar entre as ilhas e o continente, “não há autoestrada
paralela, comboio Intercidades ou estrada nacional alternativa”: “Ou
vamos de avião, ou não vamos.”Referiu,
ainda, que quando um residente nos Açores ou na Madeira adquire um
bilhete de avião, “não está a fazer uma compra de luxo, está a exercer o
direito a deslocar‑se dentro do seu próprio país”.“Ao
fim de 50 anos de Autonomia Constitucional, seria de esperar que tudo
isto já estivesse entendido em Lisboa”, observou, acrescentando que, na
República, querem transformar a insularidade “numa espécie de pulseira
eletrónica geográfica”.O vice-presidente
do grupo parlamentar do PS, Carlos Silva, disse que o PSD ao marcar o
debate de urgência sobre o SSM teve como propósito “branquear” o que
aconteceu na Assembleia da República (AR) e a forma “insultuosa e
vergonhosa” como os Açores e os açorianos foram tratados pelo líder
parlamentar do PSD, Hugo Soares, e pelo ministro Miguel Pinto Luz e,
também, pela forma “insultuosa" e pela "afronta” do primeiro-ministro,
“que teima em não compreender o que significa a essência do SSM”.Segundo
Carlos Silva, “nunca houve um Governo tão centralista e que atentasse
tanto contra os direitos dos Açores e da Madeira” e lamentou a postura
“pouco firme” do presidente do executivo açoriano, José Manuel Bolieiro
(PSD), perante as “afirmações insultuosas que foram proferidas na AR”
por Hugo Soares.Por vez, o deputado da IL
Pedro Ferreira acusou o PSD nacional, em particular o líder parlamentar
na AR, o primeiro-ministro e o ministro das finanças, de “tirania” e
“visão serôdia do Portugal democrático”, no caso das alterações a
introduzir no SSM.Nos Açores, “há
portugueses por inteiro”, disse, lamentando também a “mansidão” da
reação do presidente do Governo Regional sobre o assunto.José Pacheco, líder parlamentar do Chega, afirmou que “o Governo de [Luís] Montenegro, para os Açores, é um traidor”.“O
PSD no continente está a destruir o país e o PSD na região [também
liderado pelo presidente do Governo Regional] esconde-se debaixo das
pedras, tem medo”, declarou.Já António
Lima (BE) aludiu ao “debate vergonhoso” que ocorreu na AR e lembrou o
“percurso atribulado” que o processo do SSM tem tido: “Desde 2017, na AR
e aqui, o BE tem defendido que os açorianos não deviam pagar mais do
que o valor que custa o bilhete: neste momento 119 euros. Isso já
poderia estar resolvido há muito tempo.”Alertou, ainda, que o Governo da República está a “acabar aos poucos” com o subsídio.“O
que está em causa não é um favor, é a continuidade territorial é um
direito compensatório de quem vive numa realidade ultraperiférica”,
afirmou, por seu turno, João Mendonça (PPM).A
continuidade territorial “é um dever do Estado” e o Governo da
República “tem insistido em reformar o SSM sem diálogo suficiente, sem
prudência e sem respeito político pelas regiões autónomas”, disse.Pedro
Pinto, líder parlamentar do CDS-PP, afirmou que Portugal “não termina
no continente” e que a continuidade territorial está consagrada na
Constituição, pelo que “não é preciso inventar nada, é apenas preciso
cumprir”.Referindo-se às declarações de
Hugo Soares, criticou a postura centralista, afirmando que “decidir
sobre os Açores sem ouvir os Açores é o retrato perfeito do problema, é o
centralismo em estado puro”.O secretário
regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, Paulo Estêvão,
recordou que a primeira iniciativa tomada na região para acabar com a
“injustiça” do SSM foi apresentada pelo Governo Regional e na resposta à
oposição sobre a alegada “falta de firmeza” do presidente do executivo,
lembrou que “ele foi o primeiro a reagir”.“Aquilo que existiu da parte do Governo [Regional] foi total determinação para resolver este problema”, sublinhou.