Parlamento dos Açores requer parecer jurídico sobre incompatibilidades
9 de set. de 2025, 09:51
— Lusa/AO Online
"Não
se trata aqui de qualquer tipo de perseguição a qualquer deputado.
Trata-se aqui de esclarecer as senhoras e os senhores deputados de todas
e quaisquer dúvidas que possam surgir!”, justificou o presidente da
Comissão de Assuntos Parlamentares, Ambiente e Desenvolvimento
Sustentável (CAPADS), o social-democrata Flávio Soares, após a votação
da proposta, apresentada e discutida numa reunião realizada na sede do
parlamento, na cidade da Horta.A deputada
socialista, que é vereadora em regime de não permanência na Câmara
Municipal de Santa Cruz das Flores, onde reside, já tinha enviado à
Comissão um parecer jurídico, elaborado por um gabinete de advogados,
que considerava não existir qualquer incompatibilidade nesta acumulação
de funções, mas a bancada do PSD no parlamento açoriano entende que ser
vice-presidente de um município e, ao mesmo tempo, deputado regional não
é compatível.“É obrigação e dever desta
comissão de, existindo dúvidas que merecem ser esclarecidas, nós
debatermos e esclarecermos”, adiantou Flávio Soares, recordando que
“desta vez” está em causa a deputada Dora Valadão, tal como no passado
se colocaram dúvidas sobre “outros deputados” que, inclusivamente,
levaram a que abandonassem cargos que exerciam, que eram incompatíveis
com os de deputado regional.Os deputados
do PS na CAPADS, que inicialmente consideravam não existir necessidade
de mais esclarecimentos sobre este caso, acabaram por votar a favor, mas
quiseram também saber quem é que tinha enviado documentos à Comissão, a
suscitar dúvidas sobre esta situação em concreto, mas Flávio Soares
recusou divulgar a sua fonte.“Quanto ao
remetente das informações que recebi, não foi nada privado, é tudo
público. A pessoa que remeteu pediu-me sigilo, tal como se fosse outro
deputado a fazê-lo, eu também iria manter esse mesmo sigilo e acho que
tenho todo o direito de não divulgar essa fonte”, insistiu o presidente
da comissão.A deputada Dora Valadão,
eleita pelo círculo eleitoral das Flores, assumiu em abril as funções de
vereadora na Câmara de Santa Cruz, em regime de não permanência, e foi,
entretanto, nomeada vice-presidente da autarquia, desempenhado funções
que, segundo um parecer jurídico que remeteu ao parlamento, nada têm de
incompatíveis.“Não existe, pois, qualquer
incompatibilidade no exercício do cargo de deputada à Assembleia
Legislativa dos Açores, com o cargo de vereadora em regime de não
permanência, ainda que tendo sido nomeada como vice-presidente,
praticando atos administrativos apenas em regime de suplência”, refere o
dito parecer, elaborado pela Sociedade de Advogados Borges da Ponte,
Linhares Dias e Associados.O Estatuto
Político Administrativo dos Açores considera que “é incompatível a
acumulação do cargo de deputado com os de presidente e vereador a tempo
inteiro, ou em regime de meio-tempo, numa câmara municipal”, mas nada
refere sobre os vereadores “em regime de não permanência”, que nem
sequer têm direito a um “estatuto remuneratório”, mas apenas a senhas de
presença, pelas reuniões em que participam.A
deputada socialista já tinha afirmado, em declarações à Lusa, que o seu
caso não configurava qualquer incompatibilidade: “sinceramente, acho
que não estamos perante uma incompatibilidade, pela simples razão de que
sou vereadora em regime de não permanência e, como eu, há outros
colegas que estão nas mesmas situações”.Além
de ser vereadora e vice-presidente da Câmara, a deputada do PS estava
também autorizada a substituir o presidente da autarquia, José Carlos
Mendes, bem como a assumir várias outras competências, como executar
obras, autorizar o pagamento de despesas e até adjudicar obras.