Parlamento dos Açores reprova propostas de PS e BE para integrar amas nas IPSS
9 de abr. de 2025, 11:52
— Lusa/AO Online
Durante
o plenário da Assembleia Regional, na Horta, os decretos legislativos
de PS e BE obtiveram a mesma votação, com PSD, Chega, CDS-PP, PPM e IL a
votarem contra e os proponentes e o PAN a favor.Na
apresentação do diploma do PS, a socialista Inês Sá alertou para a
“situação injusta” das cerca de 43 amas que prestam serviços em
“precariedade laboral”, propondo a criação de “contratos individuais de
trabalho entre as profissionais e as respetivas instituições”.“É
pela educação nos primeiros anos de vida que combatemos as
desigualdades sociais”, defendeu a deputada do PS, sugerindo também
apoios financeiros às IPSS para acomodar as integrações.O
líder do BE/Açores, António Lima, realçou a necessidade de “converter
falsos recibos verdes em verdadeiros contratos de trabalho”,
considerando estar em causa uma matéria de “justiça social”.“Os Açores não podem continuar a ter legislação que fomente e promove a precariedade”, salientou o bloquista.No
debate, a secretária da Saúde e Segurança Social do Governo Regional
(PSD/CDS-PP/PPM), Mónica Seidi, elogiou o “papel essencial das amas”,
mas apontou riscos de inconstitucionalidade nas duas iniciativas por
colocarem em causa a “liberdade contratual”.“Não podemos ter uma lógica de imposição”, defendeu a governante.A
deputada do PSD Nídia Inácio enalteceu a evolução do investimento no
apoio às amas, que, segundo disse, passou de 150 mil euros em 2021 para
1,2 milhões de euros em 2024.Já Hélia
Cardoso (Chega) considerou que a aprovação das iniciativas “iria criar
inúmeros problemas” às IPSS, tal como o liberal Nuno Barata que condenou
a “criação de mais regulamentação e a perda de autonomia das amas”.A
líder parlamentar do CDS-PP, Catarina Cabeceiras, acusou o PS e o BE de
“colocarem em causa a natureza privada” da resposta de amas e o
monárquico João Mendonça considerou “mais eficaz” um “acordo entre as
partes”.Numa breve intervenção, Pedro Neves (PAN) demonstrou apoio aos diplomas de PS e BE.A 3 de dezembro de 2023, os representantes das IPSS e das Misericórdias
na região, ouvidos no parlamento dos Açores, mostraram ser contra a
integração das amas, alertando para a falta de condições financeiras das
instituições.Ao longo dos últimos anos,
as amas dos Açores têm reivindicado melhores condições de trabalho,
denunciando um serviço prestado em regime verde e valores que “não têm
em conta o horário de trabalho completo”.Em
novembro de 2023, o Governo dos Açores reforçou os apoios às amas,
atribuindo um subsídio mensal de 89 euros por criança, sendo 50 euros
para o reforço da alimentação – quando antes era 15 euros – e 39 euros
para fazer face às despesas diárias, o que antes não existia.