Parlamento dos Açores rejeita proposta de suspensão da plataforma do subsídio de mobilidade
Hoje 17:35
— Lusa/AO Online
A
iniciativa recebeu votos contra do PS (22), Chega (cinco), BE (um), IL
(um) e PAN (um) e votos a favor dos três partidos proponentes (22 do
PSD, dois do CDS-PP e um do PPM).Na
apresentação da iniciativa, o deputado do PPM, João Mendonça, explicou
que a intenção era “suspender de imediato” o atual sistema de reembolsos
aos açorianos nas viagens aéreas de e para o continente - assente numa
plataforma digital criada pelo Governo da República - “que está a
falhar” e que o reembolso fosse feito nos CTT enquanto as deficiências
na plataforma não estivessem corrigidas.“As
pessoas têm direito ao apoio mas não conseguem aceder a ele, […] porque
tudo depende de uma plataforma digital que falha”, apontou.João
Mendonça disse, no entanto, esperar que a situação “seja ultrapassada
rapidamente”, tendo em conta as recentes declarações do ministro das
Infraestruturas, que revelou que os residentes deixarão de ter de
adiantar o custo total das viagens aéreas, passando a pagar apenas o
valor de 119 euros.No debate, Pedro Pinto
(CDS-PP) disse que a plataforma eletrónica do SSM “deve ser suspensa até
31 de dezembro de 2026” e o Governo da República deve “repristinar a
título transitório o regime anterior vigente (balcões dos CTT)” até que
“os erros sejam corrigidos e a mesma esteja operacional”.“Suspendam-na
e só a façam regressar quando houver uma solução séria, testada e
validada através de um projeto-piloto devidamente experimentado e
funcional”, defendeu.Opinião diferente tem
José Pacheco (Chega), ao defender que a aprovação da proposta da
coligação iria “envergonhar” o parlamento por estarem outras propostas
para aprovação na Assembleia da República sobre o subsídio de
mobilidade.“Até vai-nos envergonhar o
facto de andarmos a mandar a pouco e pouco correções […] e pode até
causar algum atraso e embaraço”, alertou, prometendo reações “se não se
cumprir no Governo da República as propostas que estão na Assembleia da
República”.Por seu lado, o deputado Nuno
Barata (IL) disse que a anteproposta de lei “ainda é pior do que o
projeto de resolução”, que também foi rejeitado hoje, porque “é uma
espécie de retrocesso civilizacional”, alegando que a plataforma só vai
melhorar com a deteção de erros.Na sua
opinião, “era importante deixar funcionar os dois sistemas ao mesmo
tempo”, pois seria “um erro parar a plataforma” e o reembolso voltar na
totalidade para os balcões dos CTT.Pedro
Neves (PAN) também defendeu que o melhor era “ter os dois sistemas ao
mesmo tempo” em funcionamento (plataforma e CTT), em vez de se “tirar a
plataforma”, pois se tal acontecesse era “um tiro enorme” dos partidos
da coligação.“Nós somos totalmente contra
esta iniciativa porque não defende os Açores. Mais uma vez, parece que
estamos a mexer naquilo que não nos dá segurança jurídica absolutamente
nenhuma”, resumiu.Também o socialista
Carlos Silva disse que a solução para os problemas verificados nos
reembolsos é “corrigir a plataforma e não é simplesmente suspendê-la”,
mas considera fundamental que se encontre um modelo presencial via CTT,
como acontecia no passado.Alertou que
estão várias propostas na Assembleia da República para análise e admitiu
que, até ao final do mês, é expectável que sejam aprovadas e que
permitam corrigir definitivamente o problema.Já
para o parlamentar do BE António Lima, a proposta dos partidos da
coligação é “mais uma irresponsabilidade, mais uma trapalhada” em torno
do assunto do subsídio de mobilidade, pois o processo está muito
adiantado na especialidade na Assembleia da República.“O
que é preciso é que os problemas da plataforma […] sejam resolvidos e
isso faz-se com a plataforma em funcionamento”, defendeu.No
último dia do plenário regional do mês de março, realizado na cidade da
Horta, na ilha do Faial, um projeto de resolução do PS sobre a
reposição imediata dos incentivos à eficiência energética e à mobilidade
elétrica, apresentado por Russell Sousa, foi aprovado por unanimidade.