Parlamento dos Açores rejeita mais cortes e alienações de empresas públicas
Hoje 10:38
— Lusa
“Não
podemos continuar a aceitar empresas públicas com prejuízos
recorrentes, subsidiação permanente, custos operacionais descontrolados e
falta de responsabilização”, justificou Francisco Lima, deputado da
bancada do Chega, durante a apresentação do projeto de resolução, na
sede do parlamento, na cidade da Horta.Uma
das propostas apresentadas pelo partido passava pela alienação da
Empresa de Eletricidade dos Açores (EDA), uma das poucas empresas
públicas que dá lucro, mas o secretário regional das Finanças,
Planeamento e Administração Pública, Duarte Freitas, defendeu que esta
“é um ativo essencial para a Região”, admitindo alienar apenas algumas
empresas que pertencem ao Grupo EDA, mas não a empresa mãe.“No
universo EDA, o que é privatizável, neste momento, é a SEGMA e a
GlobalEDA, que estão, aliás, como é sabido, em processo de alienação”,
admitiu o governante, acrescentando que em relação à EDA, o executivo
assume uma “normal discordância” ideológica com o Chega, assim como em
relação à extinção da RIAC, a Rede Integrada de Apoio ao Cidadão.Duarte
Freitas lembrou que o atual Governo de coligação (PSD, CDS-PP e PPM) já
procedeu, entretanto, “à maior reforma do setor público empresarial dos
Açores, de que há memória”, elencando as empresas e os serviços
públicos que já foram alvo de processo de extinção ou de privatização
nos Açores, nos últimos anos.“Foram
extintas quatro entidades: A SDEA, a SINAGA, a Azorina e a Azores Air
Lines Vacation, no Canadá. Foi alienada a Naval Canal, foi entregue à
iniciativa privada, através de concurso, a exploração da atividade de
Santa Catarina, indústria conserveira, e foram alienados em hasta
pública os ativos turísticos detidos pelas Ilhas de Valor,
designadamente o Hotel das Flores e o Hotel da Graciosa”, recordou o
governante.Joaquim Machado, deputado do
PSD, fez as contas e conclui que este rol de extinções e
privatizações, já permitiram uma poupança considerável nas contas
públicas regionais: “só a SDEA representava por ano, em vencimentos, 250
mil euros. A SINAGA representava mais 90 mil euros, a Santa Catarina,
154 mil e a Azorina, 90 mil. É uma poupança superior a meio milhão de
euros".Carlos Silva, deputado da bancada
do PS (o maior partido da oposição nos Açores), também manifestou a sua
discordância relativamente à iniciativa do Chega, lamentando que o
partido pretenda “vender os anéis” para “pagar despesa corrente”, ainda
por cima desfazendo-se de empresas que, segundo os socialistas, “são
estratégicas e essenciais para a região”.Também
António Lima, deputado único do Bloco de Esquerda, entende que a
proposta do Chega não trará vantagens à região, além de pretender
“cortar indiscriminadamente” nos serviços e empresas públicas, como se
de uma “motosserra” se tratasse.“Quer o
Chega cortar naquilo que a Administração Pública Regional tem
possibilidade de cortar, legalmente, cortando também naquilo que “não
pertence” à Região, advertiu, dando como exemplo o Observatório
Microbiano dos Açores, entidade que consta do rol de organismos a
extinguir pelo Chega, mas que pertence a uma entidade de direito
privado.Nuno Barata, da Iniciativa
Liberal, acusou o proponente de ter feito um projeto “atabalhoado” e
juridicamente defeituoso: “obviamente que não podemos aprovar uma coisa
que encerra, em si própria, problemas jurídicos claros”.O
Chega sugeria, no seu projeto de resolução, que o Governo Regional,
liderado pelo social-democrata José Manuel Bolieiro, alienasse também a
maioria dos imóveis devolutos que estão na posse da região, mas que não
estão a ter qualquer utilização na atualidade, mas Luís Silveira,
deputado do CDS-PP, entende que há outras alternativas: "o caminho
poderá ser o de a Região recuperar esse património e colocar esses
imóveis ao serviço dos açorianos”.