Parlamento dos Açores rejeita equiparação de técnicos das IPSS e Misericórdias
Hoje 17:55
— Lusa/AO Online
Na
sequência da apresentação da proposta de resolução na Assembleia
Legislativa da região, na cidade da Horta, na ilha do Faial, Mónica
Seidi referiu que o Orçamento dos Açores tem vindo a assumir uma “taxa
de esforço muito significativa” para com as IPSS e Misericórdias, sendo
que em 2025 atingiu-se os nove milhões de euros.A
iniciativa do Bloco preconizava a equiparação, por via negocial, dos
vencimentos e carreiras dos técnicos superiores dos quadros das IPSS e
Misericórdias, que prestam serviço para o Instituto de Segurança Social
Açores (ISSA), aos funcionários da administração pública que desempenham
as mesmas funções.Mónica Seidi destacou
que o Governo dos Açores “reconhece a injustiça, mas discorda da forma”,
sendo a mais “adequada a que se tem vindo a trabalhar, através da
integração por via do processo concursal”.Seidi
declarou, por outro lado, que dos cerca de 100 trabalhadores nesta
situação, falta apenas integrar 30, caso queiram ser integrados, uma vez
que alguns não o desejam fazer devido a regalias que usufruem.A
secretária regional da Saúde e Segurança Social revelou que o executivo
açoriano tem vindo a “aumentar o financiamento” junto das IPSS e
Misericórdias, que cresceu de 91 para 136 milhões em cinco anos de
governação da coligação PSD/CDS-PP/PPM.O
deputado único do BE/Açores, António Lima, na apresentação da proposta,
referiu que “serão mais de 100 trabalhadores” que estão nesta situação,
que gera uma “injustiça social com consequências na vida de muitas
pessoas”.António Lima recordou que estes
trabalhadores cumprem ordens das mesmas chefias, executam as mesmas
tarefas e responsabilidades, no mesmo espaço, com “salários mais baixos e
menor progressão da carreira”, o que “não é sustentável e ético”.“Chegou o momento de acabar de uma vez por todas com esta desigualdade estrutural”, defendeu o parlamentar.O
deputado Pedro Ferreira, da Iniciativa Liberal, considerou que este é
um “problema antigo que exige de facto resolução”, surgindo devido a
“opções políticas acumuladas ao longo dos anos”, gerando “desigualdades
que hoje são evidentes”.Pela bancada do
Chega, Olivéria Santos manifestou-se “sensível às justas aspirações
destes trabalhadores”, mas destacou as “repercussões financeiras da
proposta”, lembrando que as IPSS e Misericórdias “não têm capacidade
para aumentar mais os trabalhadores”, cujos salários têm vindo a ser
atualizados.Por sua vez, Isabel Teixeira
(PS) subscreveu a solução de “corrigir a situação concreta de
desigualdades por via negocial”, algo que “respeita a autonomia das
instituições e garante o papel indeclinável financeiro do Governo
Regional”.O centrista Pedro Pinto recordou
que foi a governação socialista que “criou esta dificuldade”,
defendendo que se deve “melhorar as condições [dos trabalhadores]
através do valor padrão” para as IPSS e Misericórdias e da negociação
com os sindicatos”, visando “melhores condições de trabalho e salários”.Já
a social-democrata Nídia Inácio considerou que o Governo dos Açores tem
vindo a “corrigir desigualdades estruturais que persistem há mais de
duas décadas”, desconhecendo a razão de se querer “resolver em 2026 a
exigência a toda a pressa” do caso destes trabalhadores, que “não podem
ser integrados automaticamente na administração pública, mas sim através
de concursos públicos”.O PPM, através de
João Mendonça, recordou que este problema foi gerado pela governação
socialista, cuja decisão “teve consequências que se prolongaram no tempo
até 2026”, tendo também sublinhado que a questão “não pode ser
resolvida por via de uma integração automática, mas por concursos
públicos”.