Parlamento dos Açores recomenda criação de museu nacional de arqueologia náutica na região
Hoje 11:48
— LUSA/AO Online
A iniciativa, subscrita por todos os partidos
com assento parlamentar nos Açores (PSD, PS, Chega, CDS-PP, PPM, BE, IL e
PAN) foi aprovada, por unanimidade, no plenário de junho.Numa
pronúncia por iniciativa própria, o parlamento açoriano “recomenda ao
Governo da República que promova, em articulação com o Governo Regional
dos Açores e com as autarquias locais territorialmente competentes, a
criação do Museu Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática nos
Açores”.No âmbito do modelo de
funcionamento do museu, os deputados açorianos entendem “ser necessário
determinar a elaboração do respetivo documento fundador e programa
museológico, definindo com clareza a missão, os objetivos, o modelo de
gestão, os núcleos funcionais, as áreas de reserva, conservação,
investigação, exposição e mediação cultural”.Consideram
ainda que, no âmbito da política museológica nacional, o Governo da
República deve assegurar o enquadramento institucional do museu, “em
articulação com a Museus e Monumentos de Portugal, E.P.E., sem prejuízo
das competências próprias da Região Autónoma dos Açores em matéria de
património cultural”.A resolução defende a
“promoção da inventariação, estudo, conservação e valorização do
património arqueológico náutico e subaquático português, com especial
incidência no acervo existente e identificado na Região Autónoma dos
Açores”.De acordo com os deputados dos
Açores, deve ser o Governo da República a “garantir a previsão dos meios
financeiros, técnicos e humanos necessários à instalação e
funcionamento do museu, mobilizando, sempre que adequado, instrumentos
de financiamento nacional e europeu”.O
parlamento açoriano propõe ainda que criação deste museu seja
considerada como “projeto estruturante das comemorações dos 600 anos da
descoberta dos Açores, a celebrar em 2027”.“No
quadro das celebrações dos 600 anos da descoberta dos Açores,
assinaladas em 2027, a criação do Museu Nacional de Arqueologia Náutica e
Subaquática, com sede em Angra do Heroísmo, reveste-se de particular
oportunidade histórica e estratégica”, lê-se no diploma.O
projeto de resolução, subscrito por todos os partidos com assento
parlamentar, surgiu na sequência de uma petição com mais de 3.000
assinaturas, que foi discutida na Assembleia Legislativa dos Açores em
maio.O parlamento açoriano sublinha que
“os Açores dispõem dos únicos parques arqueológicos subaquáticos
existentes no país, localizados em Angra do Heroísmo, bem como do único
roteiro nacional de património cultural subaquático visitável,
estruturado ao longo da última década e identificado a nível europeu
como uma experiência de referência no cruzamento entre investigação,
preservação e fruição pública”.Para os
deputados regionais, o museu proposto é “um instrumento fundamental para
a proteção e valorização do património cultural subaquático português,
para o reforço da coesão territorial, para a afirmação do papel dos
Açores no espaço atlântico e para a dinamização cultural, científica,
educativa e turística do país, promovendo simultaneamente o
desenvolvimento humano, a valorização das autonomias regionais e o
acesso democrático à cultura”.No final de
junho, arqueólogos, responsáveis museológicos, políticos e subscritores
da petição defenderam a criação do Museu Nacional de Arqueologia Náutica
e Subaquática nos Açores, numa sessão que decorreu no Museu
Arqueológico do Carmo, em Lisboa.Na
altura, o vice-presidente da Associação dos Arqueólogos Portugueses,
Luís Raposo, disse que “faz muita falta ao país” ter um Museu Nacional
de Arqueologia Naval e Subaquática, apontando o exemplo de Cartagena, em
Espanha, como uma referência internacional.Luís
Raposo defendeu que a dimensão atlântica dos Açores, aliada ao trabalho
desenvolvido na investigação de naufrágios e património subaquático,
justifica plenamente a instalação do futuro museu na região.