Parlamento dos Açores quer esclarecimentos adicionais sobre as obras no HDES
Hoje 17:20
— Lusa/AO Online
A
audição da governante surge por proposta da bancada do PS na Assembleia
Legislativa Regional, que entende existirem ainda matérias por
esclarecer, apesar da apresentação pública feita na passada semana pelo
Governo Regional, junto dos partidos políticos, dos parceiros sociais e
dos profissionais de saúde, sobre o plano funcional da obra prevista
para a maior unidade de saúde do arquipélago.“Esta
explicação que foi feita foi importante, introduziu alguns fatores que
eram desconhecidos até à data, mas, obviamente, atendendo à obra, que é
estruturante nos próximos anos para o Serviço Regional de Saúde, e às
explicações adicionais que continuam a ser necessárias, é válida a
intenção e a necessidade de ouvir a senhora secretária regional da
Saúde”, insistiu Carlos Silva, deputado socialista, durante a reunião da
comissão, em Ponta Delgada.Os
socialistas, que são o maior partido da oposição no arquipélago,
entendem que há ainda matérias que não estão devidamente explicadas,
nomeadamente as relacionadas com o financiamento da obra e com os custos
associados ao seu funcionamento.Luís
Raposo, deputado do PSD, não vê, no entanto, necessidade em chamar a
secretária da Saúde, atendendo a que o Governo Regional já explicou, há
poucos dias e com pormenor, o que está previsto fazer: “Não percebo como
é que, cinco dias depois dessa apresentação, surgem ainda dúvidas.”Os
deputados do PSD na Comissão de Assuntos Sociais acabaram por se abster
em relação ao requerimento do PS, tal como fez o deputado Pedro Pinto,
do CDS, que, embora não se aponha à audição, entende que não se perde
nada, a bem da transparência e do diálogo.“Há
de se ouvir o Governo as vezes que forem necessárias para que não reste
a mínima dúvida de que esta coligação [PSD, CDS-PP e PPM] está neste
processo com transparência e o diálogo com todos, sejam os partidos
políticos, sejam os parceiros sociais, sejam os próprios profissionais
daquela unidade de Saúde”, frisou Pedro Pinto.O
Chega, partido charneira no parlamento regional, onde a coligação que
forma o Governo Regional não tem maioria absoluta, votou ao lado do PS, a
favor da audição de Mónica Seidi.O
partido já tinha apresentado no parlamento um requerimento pedindo
esclarecimentos ao executivo sobre o financiamento da obra do HDES,
orçada em cerca de 300 milhões de euros, e questionando se o Governo da
República sempre irá assumir de 85% desses custos, tal como tinha sido
assumido pelo executivo de Luís Montenegro.Na
sexta-feira, o presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro,
apresentou publicamente o programa funcional para a reparação,
reorganização e redimensionamento do HDES à Mesa do Conselho de Ilha de
São Miguel e aos presidentes das câmaras municipais da ilha, e também
aos partidos com assento parlamentar.“Sempre
defendemos que um projeto desta dimensão deve ser conduzido com
transparência, diálogo e participação. É esse compromisso que estamos a
cumprir, apresentando o programa funcional às diferentes entidades e
promovendo um processo de informação e esclarecimento junto de todos
aqueles que têm responsabilidades na nossa região”, declarou então.O
programa funcional prevê o aumento da capacidade de internamento do
HDES de 437 para 500 camas, com possibilidade de expansão até 641 camas,
o reforço do bloco operatório para 10 salas de cirurgia programada, a
duplicação das salas de parto, o aumento da consulta externa de 60 para
139 gabinetes e o crescimento da capacidade da hemodiálise de 23 para 35
postos, reforçando igualmente áreas como o Serviço de Urgência, a
Cirurgia de Ambulatório e os Hospitais de Dia.O objetivo é preparar o HDES para responder às necessidades assistenciais da população até 2050.