Parlamento dos Açores quer “diferenciação positiva” das autarquias da região
Hoje 16:31
— Lusa/AO Online
Na
sequência do debate sobre o projeto de resolução, apresentado pelas
bancadas do PSD, PS, CDS-PP, Chega e PPM, que recomenda que o Governo da
República contemple as reivindicações das autarquias locais da região
na revisão da Lei de Finanças Locais (LFL), o secretário regional dos
Assuntos Parlamentares considerou que “a percentagem no bolo nacional
tem vindo a diminuir” para as autarquias açorianas.Paulo
Estevão, que intervinha no parlamento dos Açores, na Horta, ilha do
Faial, considerou que esta realidade resulta da “transferência de
competências que o Estado está a fazer” para os municípios continentais.O
governante declarou que as verbas para o poder local nos Açores caíram
de 4%, em 2023, para 3%, sendo expectável que, a manter-se a tendência,
“nas próximas décadas, os municípios terão um valor ainda menos de 2%”.Paulo
Estevão referiu que se está a “transformar os municípios dos Açores em
municípios de segunda linha” e defendeu que o poder local dos Açores
“tem que estar presente no grupo de trabalho” criado pelo Governo da
República para rever a LFL.No âmbito do
debate, o deputado socialista Mário Tomé considerou a necessidade de
rever a LFL como uma “urgência inadiável”, tendo destacado “o contexto
distinto do território nacional das freguesias dos Açores” devido à sua
distância e dispersão geografia.O deputado
centrista Pedro Pinto defendeu que a realidade do poder local nos
Açores “seja devidamente considerada, porque se trata de uma realidade
distinta”, tendo salvaguardado que o “diferente não pode ser tratado
como se fosse igual” e defendido uma majoração financeira. Da
parte do PSD, José Leal considerou que “era bom que o Estado português
assumisse em pleno as suas responsabilidades nas freguesias dos Açores”,
que “acabasse com o fantasma do centralismo e avançasse com medidas
concretas”.Olivéria Santos (Chega)
considerou que a LFL “não contempla os custos das freguesias nos Açores”
e está “desajustada da realidade do poder local”, havendo “custos
acrescidos permanentes”.Por seu lado, o
deputado do PPM João Mendonça afirmou ser uma “questão de justiça
reconhecer a realidade das autarquias dos Açores”, sendo que existe um
“modelo de financiamento que trata de forma igual situações que são
diferentes”, como a distância e dispersão territorial.António
Lima (BE) considerou ser “fundamental que a LFL tenha em conta esta
realidade [dos municípios dos Açores] e garanta soluções para responder
às suas populações”.Pela IL, o deputado
Pedro Ferreira apontou o que considerou de contradições da proposta,
apontando que há um “reforço da narrativa da dependência”, sendo esta
“excessivamente reivindicativa”, apesar de reconhecer a necessidade de
rever a LFL face às especificidades dos Açores.Na
proposta apresentada pela social-democrata Sabrina Furtado refere-se as
condicionantes “decorrentes da insularidade e da dupla insularidade” e
as “permanentes que caracterizam a sua condição ultraperiférica”, o que
“limita a obtenção de recursos, agrava os custos e condiciona a tomada
de decisões”.A deputada defendeu a adoção de uma nova LFL “mais justa, mais transparente, previsível e mais robusta”. A
Assembleia Legislativa dos Açores recomenda ao Governo da República que
a revisão da LFL “deve respeitar o “princípio da multiplicidade de
ilhas, dispersão e diferenciação territorial, que reconheça que as
autarquias locais situadas na Região Autónoma dos Açores devem ter um
financiamento por parte do Estado diferente das autarquias locais
situadas no território nacional continental”.O
projeto de resolução, apresentado pelas bancadas do PSD, PS, CDS-PP,
Chega e PPM, foi aprovado por maioria, com a abstenção do deputado da
IL.