Parlamento dos Açores quer alterar a lei do mar e alargar competências da região
3 de set. de 2024, 16:25
— Lusa/AO Online
“Um dos grandes
objetivos desta comissão é trabalhar no sentido de fazer uma alteração
cirúrgica na chamada ‘Lei do Mar’, de modo a garantir uma maior
intervenção dos Açores no ordenamento e gestão das zonas marítimas
adjacentes ao nosso arquipélago”, explicou presidente da comissão
eventual, Jaime Vieira, aos jornalistas, em Ponta Delgada.Em
causa está a Lei de Bases do Ordenamento e Gestão do Espaço Marítimo,
criada ainda no tempo do Governo de Passos Coelho, que determina que
compete ao Estado a gestão exclusiva das águas territoriais dos Açores e
da Madeira, algo que os governos regionais entendem ser
inconstitucional, por violar os estatutos político-administrativos das
suas regiões autónomas.Num parecer enviado
à Assembleia da República, em setembro do ano passado (a propósito de
uma outra alteração à lei, proposta pelo Governo de António Costa), o
Governo Regional, presidido por José Manuel Bolieiro, alegava que o
executivo açoriano não podia apenas ser consultado sobre as políticas
marítimas e exigia que fosse cumprida a lei, que atribui aos dois
arquipélagos competências de gestão partilhada das suas águas.Também
a Assembleia Legislativa dos Açores emitiu, na mesma ocasião, parecer
desfavorável à “Lei do Mar”, por entender que o diploma “não respeita a
autonomia regional”, além de pretender “esvaziar”, ainda mais, as
competências das regiões autónomas.“Como
todos sabemos, a legislação nacional sobre o mar é profundamente
centralista, como também o é a jurisprudência do Tribunal Constitucional
sobre esta matéria”, lembra agora o social-democrata Jaime Vieira, que
pretende aproveitar o facto de os governos da República e das regiões
autónomas serem todos da mesma cor política para tentar alterar a lei.O
presidente da Comissão Eventual para Acompanhamento das Políticas
Marítimas espera também que haja um largo consenso entre os partidos com
assento no parlamento açoriano em torno desta matéria.“Não
poderia ser de outra forma! É nisso que nós vamos trabalhar, para que
se possa falar a uma só voz, para combater o centralismo sobre a gestão
do mar dos Açores”, insistiu o deputado do PSD.A
Comissão Eventual de Acompanhamento de Políticas de Ordenamento do
Espaço Marítimo foi criada por resolução do parlamento, a 11 de abril
deste ano, mas apenas com os votos favoráveis de quatro dos oito
partidos com assento parlamentar nos Açores (PSD, CDS-PP, PPM e PS).Os
deputados do Chega, da Iniciativa Liberal, do PAN e do BE contestaram,
na altura, a criação de mais uma comissão parlamentar, sugerindo, em
alternativa, que o assunto fosse discutido e analisado por uma das
quatro comissões permanentes já existente na Assembleia Legislativa dos
Açores.