Parlamento dos Açores protesta pela falta de agentes da PSP na região

18 de jan. de 2023, 16:02 — Lusa

“O Comando Regional da PSP tem um défice de 200 agentes. Menos 200 agentes da autoridade do que o indispensável para a verdadeira e eficaz prestação de serviço de defesa e na proteção de pessoas e bens, o que sobrecarrega o efetivo atual, que se desgasta e se sacrifica nas múltiplas funções, em condições cada vez piores, diria até desumanas”, justificou o deputado social-democrata Luís Soares, durante uma intervenção no parlamento açoriano, reunido na cidade da Horta.O parlamentar do PSD, ex-oficial de segurança da PSP, recordou que a escassez de recursos humanos na região, que resulta, no seu entender, da “negligência grosseira” do Governo da República, leva a que seja necessário encerrar esquadras no período noturno, sempre que os agentes têm de “ocorrer a diligências no exterior”.Durante o debate que se seguiu à apresentação do voto, José Pacheco, deputado do Chega, considerou “vergonhosa” a situação que atualmente se vive na PSP nos Açores e na maioria das forças de segurança que desempenham funções no arquipélago.“É vergonhosa a forma como as forças de segurança são tratadas. Nós não podemos viver numa sociedade debilitada naquilo que é a sua segurança, ou naquilo que são os seus agentes de segurança”, lamentou o parlamentar do Chega.Mas, João Vasco Costa, da bancada socialista, lembrou que o problema agora denunciado pelo PSD “não é de agora” e acusou a bancada social-democrata de estar a “partidarizar” um assunto, apenas para “atacar” o Governo da República, do PS.“Nós chamaremos à atenção e criticaremos quando tivermos que criticar, não podemos é pactuar com esta tentativa – e o PSD não resistiu a essa tentação – de partidarizar este assunto”, insistiu o deputado socialista.Paulo Estêvão, deputado do PPM, recusou a ideia de que o PSD esteja a partidarizar o problema da falta de meios e de recursos humanos das forças de segurança nas ilhas, considerando que “a culpa” só pode ser atribuída a quem governa.“Quem exerce essas funções é que tem de ser responsabilizado. Vamos responsabilizar quem? O D. Afonso Henriques?”, ironizou o parlamentar monárquico, provocando alguns risos na sala de plenário.Pedro Pinto, da bancada do CDS-PP (um dos três partidos que formam o Governo de coligação nos Açores, em conjunto com o PSD e o PPM), foi mais longe nas críticas ao Governo da República pelo “desleixo” na gestão das forças de segurança no arquipélago, considerando que o responsável tem um nome: António Costa.“Hoje em dia é primeiro-ministro de Portugal quem, no passado, foi Ministro da Administração Interna de José Sócrates”, recordou o parlamentar centrista, lembrando que a degradação das forças de segurança começou nessa altura.Mas, António Lima, do Bloco de Esquerda, recordou o passado do PSD, que também esteve na governação nos tempos de Passos Coelho, e que, na sua opinião, também não foi um bom exemplo em matéria de gestão dos recursos da PSP na região.“A responsabilidade é, primeiramente, de quem governa, mas também não se deve esquecer o passado e de quem governava e fez exatamente o mesmo”, frisou o parlamentar bloquista.Perante a troca de acusações, Nuno Barata, da Iniciativa Liberal, lembrou que a culpa é de todos aqueles que já passaram pelo Governo da República e que não souberam tratar deste assunto.“É esta captura que PSD e PS, com a companhia do CDS, fizeram das instituições do Estado, que trouxe o Estado à situação em que ele se encontra neste momento”, acusou o parlamentar liberal.O voto de protesto do PSD, pela falta de agentes da PSP nos Açores, foi aprovado com os votos a favor de PSD, CDS-PP, PPM, BE, CH, IL, PAN e do deputado independente, ao passo que a bancada do PS votou contra.