Parlamento dos Açores exige soluções para controlo de fronteiras via marítima
Hoje 09:18
— Lusa/AO Online
“A
inexistência ou insuficiência de meios operacionais do Estado em
determinadas ilhas dos Açores, não pode traduzir-se numa limitação
desproporcionada da atividade económica, turística e marítima regional,
cuja economia depende fortemente da conectividade atlântica e da náutica
de recreio internacional”, justifica a proposta, apresentada pelo
deputado único da Iniciativa Liberal, Pedro Ferreira.Em
causa está, segundo o proponente, ilhas como as Flores (no extremo
ocidental do arquipélago), ou Santa Maria (no extremo oriental), que são
portos de escala para embarcações de recreio provenientes do continente
americano, de um lado, ou da Europa ou de África, por outro, e que não
dispõe de controlo de fronteiras para cidadãos provenientes de países
fora do espaço Schengen.Controlo de
cidadãos nessas ilhas, anteriormente assegurado pelo extinto Serviço de
Estrangeiros e Fronteiras (SEF), passou a ser feito pela Guarda Nacional
Republicana (GNR) e pela Polícia de Segurança Pública (PSP), embora
tenham sido reportadas “dificuldades operacionais relacionadas com o
controlo de fronteiras marítimas”, sobretudo junto de embarcações de
recreio provenientes de países terceiros.“Segundo
informações recolhidas junto de operadores locais e agentes económicos,
têm sido impostas restrições ao desembarque e circulação de
tripulantes, bem como limitações ao abastecimento de determinados bens
essenciais, sem que existam soluções operacionais proporcionais,
coerentes e adaptadas à realidade insular”, alertou o deputado da IL.Pedro
Ferreira lembrou que alguns tripulantes de embarcações que fizeram
escalas nessas ilhas foram impedidos de desembarcar, por não haver meio
de controlo fronteiriço, com claros prejuízo para a economia local.“Não
pode a ausência de meios operacionais adequados do Estado traduzir-se
numa penalização económica e territorial das ilhas, nem justificar
soluções administrativas desproporcionais suscetíveis de comprometer a
atratividade da Região enquanto destino náutico internacional”,
insistiu.José Paulo Sousa, deputado do
Chega, eleito pela ilha das Flores, lembrou que essas restrições estão a
ter “impactos negativos” na economia local, em especial na restauração,
no comércio local e nas empresas que prestam serviços marítimos.José
Gabriel Eduardo, da bancada do PS, também ele eleito pelas Flores,
disse que “a economia da ilha é que fica a perder” com esta situação,
lembrando, porém, que além das Flores e de Santa Maria, também as ilhas
Corvo, Graciosa, São Jorge e Pico não dispõem de meios para o controlo
de cidadãos de fora do espaço Schengen.Luís
Soares, deputado do PSD, lembrou que o problema resulta da “falta de
formação” dos militares da GNR e dos agentes da PSP que vieram
substituir o serviço anteriormente prestado pelo SEF.“Tem
de se encontrar uma solução para este problema”, defendeu Pedro Pinto,
da bancada do CDS-PP, um dos três partidos que formam o Governo Regional
de coligação (PSD, CDS-PP e PPM).João
Mendonça, deputado único do PPM (Partido Popular Monárquico), lembrou
que “esse controlo fronteiriço é necessário”, mas é uma obrigação do
Estado e não do executivo açoriano.Já
António Lima, do Bloco de Esquerda, destacou que as ilhas mais
periféricas, como Santa Maria e as Flores, estão a ser duplamente
penalizadas com esta situação, já que, além do distanciamento
geográfico, ficam impedidas de receber os turistas que aportam à ilha.O
presidente do Governo Regional, o social-democrata José Manuel
Bolieiro, lembrou que o executivo já alertou o Governo da República para
este problema e adiantou que, além desta situação em concreto, tem
tentado fazer pedagogia nas instâncias nacionais, na defesa da autonomia
e do reforço dos meios do Estado nas ilhas.“Isso
tem sido claramente assumido pelo Governo dos Açores, enquanto
conselheiro de Estado, enquanto conselheiro do Conselho Superior de
Segurança Interna ou como conselheiro no Conselho Superior de Defesa
Nacional, ou mesmo nas relações diretas com o Governo da República”,
assegurou o presidente do executivo.