Parlamento dos Açores cria comissão para acompanhar descontaminação nas Lajes
Hoje 15:20
— Lusa/AO online
A
iniciativa, que partiu do deputado único do Bloco de Esquerda, António
Lima, foi subscrita pela maioria dos partidos com assento parlamentar
(PSD, PS, CDS-PP, PAN e PPM), mas deixou de fora os deputados da
Iniciativa Liberal e do Chega, estes últimos por não terem sido
convidados a acompanhar o proponente.“Este
é um problema de elevada complexidade técnica e científica. Por essa
razão, entendemos que o seu acompanhamento deve assentar num escrutínio
rigoroso, transparente e autónomo do poder político”, explicou António
Lima, durante a apresentação da iniciativa, em plenário, na cidade da
Horta.A Comissão será constituída por
especialistas e irá funcionar “com total independência do poder
político”, com a tarefa de acompanhar os estudos epidemiológicos
relativos às consequências da existência de diversos contaminantes no
ambiente e na população local, e solicitar a realização de colheitas e
contra-análises laboratoriais autónomas a laboratórios externos
acreditados.A proposta de constituição
desta comissão surge na sequência de um debate de urgência, proposto
pelo CDS-PP, realizado na quinta-feira na Assembleia Legislativa dos
Açores, após as notícias sobre uma tese de doutoramento, realizada pelo
antropólogo Félix Rodrigues, em torno da presença de metais pesados em
esqueletos humanos de antigos residentes no concelho da Praia da
Vitória, onde está instalada a Base das Lajes.Um
relatório do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), agora
divulgado, realizado com base na recolha de análises efetuadas em 2025,
conclui que a qualidade da água consumida pela população da Praia da
Vitória, mantém-se, globalmente, segura e em conformidade com os
requisitos legais.Os técnicos do LNEC
admitem, apesar de tudo, a existência de “situações pontuais de
contaminação” ainda por resolver naquele concelho, em terrenos próximos
da Base das Lajes, mas entendem que esses casos não representam risco
para a saúde pública.“A comissão terá
total autonomia técnica e científica. Para garantir que o seu trabalho
seja blindado contra qualquer interferência ou instrução política, o
diploma estabelece regras muito claras de funcionamento e composição”,
justificou António Lima, adiantando que a comissão será composta por
nove membros, nomeados por resolução da Assembleia, por uma maioria
qualificada de dois terços dos deputados.Antes
da nomeação desses elementos, o parlamento regional irá ouvir o
Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas, a Ordem dos
Engenheiros, a Ordem dos Médicos e a Ordem dos Farmacêuticos.Durante
a discussão da iniciativa, José Pacheco, líder parlamentar do Chega,
lamentou que o seu partido não tenha sido convidado para subscrever
também a constituição desta comissão, com a qual o partido concorda,
dada importância ambiental do tema, e pediu esclarecimentos ao Bloco de
Esquerda sobre as razões da sua exclusão.O
deputado do BE respondeu que só convidou partidos que considera serem
“democráticos”, argumento que suscitou o protesto da bancada da Chega,
que entende ser inaceitável que um partido acuse outros deputados de não
serem democráticos, “quando foram eleitos democraticamente”.O
deputado único da IL, Nuno Barata, também não subscreveu a proposta de
criação da comissão técnica independente, por entender que a iniciativa
devia ser acompanhada por todos os partidos, e não excluir ninguém.O
diploma agora aprovado determina que a comissão técnica independente
poderá solicitar, através da Assembleia e do Governo Regional,
informações e relatórios aos órgãos de soberania nacional sobre a Base
das Lajes e sobre relação bilateral com os Estados Unidos da América.A comissão deverá iniciar as suas funções a 01 de janeiro de 2027 e terá um mandato de dois anos.